Crítica: Rei Arthur - A Lenda da Espada

Existem figuras histórias e personagens da literatura clássica que constantemente ganham versões cinematográficas dos mais variados estilos. Dentre eles, a lenda do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda é uma das mais recorrentes, e já inspirou comédias (Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado), animações (A Espada era a Lei, A Espada Mágica - A Lenda de Camelot), séries de TV (Camelot, As Brumas de Avalon) e produções de grande orçamento (Rei Arthur, de Antoine Fuqua). 

Percebemos que existe um problema com estas produções quando a mais lembrada pela maioria das pessoas é exatamente aquela que se trata de uma paródia, Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado. Dito isto, ao saber que um diretor autoral e moderno como Guy Ritchie ia dirigir sua versão de Rei Arthur, não faltou expectativa para que finalmente tivéssemos um filme dramático que fosse realmente memorável.

Mas infelizmente ainda não foi desta vez. Embora tenha um orçamento considerável e bons atores nos papéis principais, Rei Arthur - A Lenda da Espada é mais um filme esquecível sobre a lenda e mais uma bola fora para o ex da pop star Madonna.


O principal problema de Rei Arthur - A Lenda da Espada é a direção equivocada de Ritchie. O diretor é conhecido pela veia pop de seus filmes, que funcionou muito bem na franquia Sherlock Holmes, mas aqui a fórmula desandou por ser utilizada sem parcimônia, o que causa danos graves de ritmo e acabam complicando a narrativa. A edição é demasiadamente dinâmica - se você piscar por mais de um minuto pode não entender o que está acontecendo em uma cena - o que às vezes causa impressão de que estamos assistindo a um vídeo clip e não um filme. Outro ponto é que na primeira metade do longa é utilizada por excesso a técnica de montagem alternada, ou seja, retornar a momentos anteriores da narrativa para explicar como determinados fatos ocorreram. É o clássico erro de muita pompa na linguagem e no visual e o esquecimento de que o principal de um bom filme é contar uma boa história.

Ao menos os produtores não repetiram um equívoco que vem ocorrendo com frequência que é lotar os materiais de divulgação com frases clichês como "a história que nunca foi contada". Não há essa pretensão em Rei Arthur - A Lenda da Espada, mas é sabido que a Warner planejava com este filme iniciar um novo Universo Compartilhado (algo que todo estúdio anseia depois do sucesso dos filmes da Marvel), e futuramente seriam lançados longas derivados contando a história de Lancelot e do Mago Merlim - o que agora é posto em cheque considerando que as primeiras projeções de bilheteria apontam para um fracasso nos EUA. 

Charlie Hunnam (Sons of Anarch) é o protagonista, e o papel o tirou da sequência de Círculo de Fogo por conflitos de agenda. O ator não compromete o resultado com a atuação, mas é difícil olhar para ele em cena e visualizar o Rei Arthur, e isto claramente reflete outras decisões equivocadas na aparência do personagem - que estão em linha, vale dizer, com a abordagem moderna que o diretor optou para todo o filme. O elenco também conta com Jude Law, que repete a cooperação com Ritchie (ele também é o Doutor Watson em Sherlock Holmes), Aidan Gillen (Game of Thrones), Djmon Hounsou (Diamante de Sangue, Guardiões da Galáxia) e a bela Astrid Bergès-Frisbey (Alaska). No geral os atores estão bem em seus personagens, mas Law exagera um pouco nos trejeitos vilanescos em algumas sequencias. 

Rei Arthur - A Lenda da Espada não faz jus à grandiosidade da figura que retrata, e deve se tornar um dos grandes fracassos de 2017. Guy Ritchie já tem compromisso com a Disney para a adaptação live-action de Aladdin, e para os fãs da animação fica a expectativa de que o diretor reveja seus conceitos para não destruir mais um clássico. 

Cotação: *

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