Crítica: Power Rangers

Na década de 80, os seriados Super Sentai eram uma febre no Japão, e rapidamente se espalharam pelo mundo. O sucesso de criações como Changeman, Flashman e Maskman nos Estados Unidos foi tanto que surgiu a Saban Entertainment, que ficaria conhecida por lançar a primeira produção no formato originalmente americana, os Power Rangers.

Com quase trinta anos desde o seu lançamento, a franquia Power Rangers já rendeu na televisão mais de 20 produções diferentes além de 3 filmes para cinema, mas Hollywood nunca havia apostado na série para investir em uma super produção milionária. Isso mudou com a popularização dos filmes de super heróis. 

Apostando no público jovem e na nostalgia dos fãs noventistas, Power Rangers chega agora aos cinemas com um investimento de 100 milhões de dólares, atores do gabarito de Bryan Cranston no elenco e a vontade de criar uma nova franquia para a Lionsgate, ainda na ressaca do encerramento de Jogos Vorazes.


Não seria muito difícil impressionar os fãs acostumados com os efeitos especiais toscos e a narrativa pobre das séries dos Rangers na TV, mas os produtores acertaram em priorizar os primeiros anos do seriado para a adaptação neste novo filme. Além de puxar pela memória afetiva, Power Rangers se aproxima do público jovem por dar mais foco aos protagonistas adolescentes e os problemas comuns desta fase, que vão da rebeldia e do bullying à questões mais polêmicas como o homossexualismo. No entanto, acaba sobrando pouco tempo para as cenas de ação.

O diretor Dean Israelite (Projeto Almanaque) não parecia muito confiante no tipo de filme que queria fazer. Embora tenha na essência a ideia de homenagear os anos clássicos da série, Power Rangers parece também ter receio em se entregar totalmente à mitologia criada em torno dos personagens, e até a trilha sonora clássica surge tímida em meio aos acordes pop escolhidos para a nova produção. Se a mudança de tom aproxima o filme de um Poder sem limites, era de se esperar que o elenco jovem fizesse a diferença na atuação, o que não acontece. Apenas RJ Cyler, que faz Billy, o Ranger Azul, consegue convencer. Os outros são apáticos, e apenas fazem valer os estereótipos de adolescentes americanos e ajudar a cumprir cotas étnicas e agradar a militância do politicamente correto. 

As mudanças mais drásticas frente ao material original ficaram por conta dos antagonistas. Tanto Rita Repulsa (Elizabeth Banks) quanto Goldar surgem totalmente diferentes das versões televisivas. A vilã que era caricata e excessivamente carnavalesca, ganha uma nova origem e uma aparência mais agressiva, ainda que continue brega até a medula. Já o segundo nada lembra o guerreiro meio leão meio águia da TV e surge apenas como um monstro gigante dourado e genérico. 

O roteiro não faz nenhum esforço para ser levado a sério, tanto que o MacGuffin está escondido embaixo de uma loja de rosquinhas. Apesar de ter à disposição Bryan Cranston como Zordon, não existe nenhuma solução narrativa que justifique a presença do ator no papel - embora a certo momento da trama pareça que o personagem ganhará realmente alguma relevância. A falta de cenas de ação pode também irritar alguns fãs mais afoitos, afinal, o filme adapta uma série de Super Sentai, e o que se espera é muitas cenas de luta bem coreografadas - o que não acontece. Apesar dos contras, o aparecimento dos Zords empolga a platéia, mesmo com efeitos especiais que lembram os piores momentos de Transformers. 

Em resumo, Power Rangers não é um filme que vai ficar marcado na sua memória, mas é uma produção decente para um gênero que pode render muita grana para os estúdios se for bem pensado e realizado. Foram deixados em aberto diversos ganchos que sugerem uma nova franquia, mas resta saber se o resultado nas bilheterias vai animar os realizadores a continuarem a morfar

Cotação: **

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