Crítica: Logan

Apesar de ter sido responsável pelo renascimento dos filmes de super heróis com X-men - o filme, a Fox não conseguiu manter uma regularidade nas produções que lançou com os personagens da Casa das Idéias. Entre filmes excelentes como X-Men 2 e X-Men: Primeira classe, houveram muitos fracassos de público e crítica como X-Men Origens: Wolverine e Quarteto Fantástico. 

Não fosse o carismático e talentoso Hugh Jackman, a sorte de Wolverine no cinema seria outra depois dos dois fracos filmes solo do personagem. O ator, única unanimidade na franquia - e presente em TODOS os filmes dos mutantes lançados até hoje - conseguia manter o interesse do público mesmo com a pouca semelhança com o Logan dos quadrinhos. E colocou em cheque quem insistia em dizer que o personagem era maior que seu intérprete.

Dito isto, é muito gratificante assistir um filme como Logan, talvez o maior acerto da Fox com os filhos do átomo até aqui. Além de um excelente retrato do personagem, é também uma homenagem do estúdio ao homem que durante quase 20 anos defendeu as garras de adamantium com dignidade e paixão.


James Mangold sabia que estava devendo aos fãs um filme ao menos aceitável depois do fraco Wolverine - Imortal. E o sucesso de Deadpool nas bilheterias mesmo com as restrições da classificação etária foi determinante para que a Fox seguisse em frente com um roteiro mais violento e adulto. E esta é exatamente a maior força de Logan.

Com mais liberdade para retratar o lado feroz e animalesco de Wolverine, Hugh Jackman atingiu um nível de fidelidade aos quadrinhos que ainda não tínhamos visto. E isto não é gratuito na obra, pois a violência está presente fortemente na HQ que foi a maior fonte de ideias para o roteiro (Old man Logan. de Mark Millar e Steven McNiven). O resultado é um visceral road movie com Logan, o Professor X (Patrick Stewart) e a novata X-23 (Dafne Keen, ótima!) como improváveis companheiros de jornada. 

Em um mundo em que os mutantes estão quase extintos, Logan vive na clandestinidade, cuidando de um idoso Professor Xavier que sofre com convulsões que podem ser letais para toda a humanidade. Mas ao encontrar uma jovem mutante com poderes muito semelhantes ao dele, Logan se vê em meio a uma conspiração e precisará enfrentar uma poderosa organização para proteger a vida da garota e o destino de toda a sua raça.

Não bastasse a maior fidelidade aos quadrinhos no roteiro, Logan também impressiona pelo visual primoroso, cortesia da inspirada fotografia de John Mathieson (Gladiador, X-Men: Primeira Classe) com seus planos abertos e as cores em tons terrosos, que garantem o ar de western moderno à produção. 

Logan é um filme de quadrinhos diferente, mais maduro, e prova que o gênero ainda tem muito a oferecer. Obviamente que as produções voltadas para a família continuarão a ser o foco, mas é bom saber que existe espaço para ousadia. Afinal de contas, os quadrinhos são uma fonte inesgotável de ideias, e nem todas elas são exatamente feitas para menores.

Cotação: ****

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: A Cabana

Crítica: A Bela e a Fera