Crítica: Estrelas além do tempo

O preconceito racial é um tema recorrente no cinema americano, e nos últimos anos tem estado cada vez mais em voga graças aos inúmeros incidentes de intolerância que afligem a sociedade americana, que nunca esteve tão dividida em sua história. 

Diversas produções já dissecaram a trajetória desta questão importantíssima, desde clássicos absolutos como E o vento levou... ao recente vencedor do Oscar Doze anos de escravidão. Mas Estrelas além do tempo vai mais fundo ao mostrar que algumas figuras importantes para a formação do império americano nunca tiveram o reconhecimento merecido pela sociedade, e tudo por culpa do sexo ou da cor da pele.


Apesar de contarem histórias completamente diferentes, Estrelas além do tempo tem muitas similaridades com outro recente sucesso, Histórias cruzadas. Ambos são filmes despretensiosos, possuem um elenco feminino poderoso e mesclam muito bem o drama e a comédia. E também discorrem sobre o tema complexo que é o preconceito com muita inteligência.

Baseado em fatos reais, Estrelas além do tempo conta a história de uma equipe de mulheres afro-americanas que trabalhavam na NASA nos anos 60 gerando dados matemáticos importantes para as primeiras missões do programa espacial americano. O roteiro baseado no romance de Margot Lee Shetterly mostra as dificuldades destas mulheres em conseguir espaço em uma instituição dominada por homens e extremamente conservadora. 

O filme é dirigido por Theodore Melfi, que já havia conseguido uma atuação memorável de Bill Murray em Um santo vizinho, e repete a dose graças ao talento de Octavia Spencer, Taraji P. Henson e da cantora Janelle Monáe, que estão incríveis como o trio de protagonistas. Também merece destaque a atuação de Kevin Costner, em seu melhor papel no cinema em anos. 

Estrelas além do tempo recebeu três indicações ao Oscar 2017, incluindo melhor filme. Não que seja desmerecido, mas é fato que a campanha  de marketing aproveitou-se do momento atual da sociedade americana e do movimento Oscar so white, que causou rebuliço na última edição da cerimônia. Polêmicas à parte, vale a pena ir ao cinema e conhecer esta grande história de talento e superação.

Cotação: **

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