Crítica: La La Land - Cantando Estações

Em 2014, o iniciante Damien Chazelle surpreendeu a comunidade cinematográfica com Wiplash - em busca da perfeição, longa em que um jovem estudante de música enfrentava um professor com métodos pouco convencionais para conseguir um lugar de destaque em uma renomada escola de música. Uma das características mais marcantes do filme era a utilização do jazz quase que como um personagem, graças a paixão do diretor pelo icônico gênero musical. 

Não é de surpreender que em seu trabalho seguinte, o jazz continue sendo uma parte importante da mistura. Mas em La La Land - Cantando Estações, a música é mais do que apenas um personagem, ela passa a ser o grande protagonista. Homenagem aos clássicos musicais Hollywoodianos, La La Land é daqueles filmes que te faz dar um sorriso durante toda a projeção; aquele típico sorriso que vem de lá de dentro do coração.



Contando uma história de amor entre um pianista e uma aspirante a atriz, La La Land - Cantando Estações explora as dificuldades do relacionamento entre duas pessoas que perseguem fama e sucesso em suas carreiras no competitivo cenário do show business de Los Angeles. Damien Shazelle aproveita-se do caos urbano e das belas paisagens da capital do cinema para compôr números musicais grandiosos, que integram-se perfeitamente à narrativa. Como em todo bom musical, as canções aqui também são parte do show, com destaque para o belo dueto City of stars e a emocional Audiction (the fools who dream). 

Ryan Gosling e Emma Stone são o coração e a alma de La La Land. Como o pianista Sebastian, Gosling tem uma atuação de nuances que explora o carisma cínico que já é marca registrada do ator. Apaixonado pelo jazz, o personagem acredita ser aquele que pode salvar o gênero da inevitável modernização que na opinião dele só faz descaracterizá-lo. Já a sonhadora Mia de Emma Stone mistura fragilidade e determinação, e sem dúvida é o ponto mais alto da carreira da atriz no cinema até aqui. 

Como homenagem ao gênero que é, La La Land não tenta inventar a roda na forma ou no visual. Isto não impede Chazelle de encantar a audiência logo nos primeiros minutos com um elaborado plano sequência em uma das engarrafadas auto estradas da cidade dos sonhos. Já nesta cena podemos notar a edição dinâmica que vai predominar nas mais de duas horas de projeção, e que valoriza as coreografias nas sequencias musicais. O filme tem toda uma atmosfera nostálgica que vai das escolhas de iluminação ao campo visual lotado de cartazes e imagens de filmes e astros da antiga Hollywood. Não fossem os celulares modernos nas mãos dos protagonistas, poderíamos acreditar facilmente que a história se passasse na Era de Ouro dos musicais. 

La La Land - Cantando Estações tem encantado as audiências pelo mundo e colecionado prêmios em festivais, e depois da impressionante vitória no Globo de Ouro - em que levou todas as sete categorias em que estava indicado - não será surpresa prever um recorde de indicações no Oscar e uma provável vitória na categoria principal. Nada mal para um filme que festeja um gênero que para muitos é coisa do passado, mas que mostrou nos últimos anos que tem muita força se contar com uma equipe de realizadores que entenda sua importância e impacto na história do Cinema. 

La La Land - Cantando Estações é um filme sobre sonhos e sobre tudo que temos que abrir mão para realizá-los. Por este motivo toca tão fundo na maioria dos corações, ou, como diz uma de suas belas canções, os corações dos sonhadores, tolos como às vezes podem parecer. 

Cotação: ****

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