Crítica: Beleza Oculta

David Frankel é um destes cineastas acometidos pela maldição do início promissor em Hollywood. Sua estreia em longas metragens foi com Diabo Veste Prada, que se tornou um sucesso em 2006 e ainda é seu trabalho mais elogiado. Mas desde então o diretor não havia conseguido reencontrar seu público nos cinemas. 

Embora retorne à receita do dramalhão que fez considerável sucesso com Marley & Eu, a crítica e o público americano não compraram a ideia e o seu novo filme, Beleza Oculta, se tornou um dos maiores fracassos de bilheteria do último ano nos EUA.


Confesso que saber do fracasso diminuiu minhas expectativas para o longa, e talvez por este motivo Beleza Oculta tenha sido uma surpresa tão grata. O drama de elenco estelar protagonizado por Will Smith é uma interessante releitura do conto Os fantasmas de Scrooge e seu principal acerto é não ter vergonha de carregar a alcunha do ´filme para chorar`. 

Beleza Oculta conta a história de um publicitário que passa por uma grave crise de depressão e começa a culpar três abstrações - amor, tempo e morte - por uma trágica perda pessoal. Sua vida e a de outros ao seu redor começa a mudar quando três atores contratados por seus sócios o fazem refletir sobre as circunstâncias do seu trauma e o ensinam a lidar com a perda e vislumbrar a beleza oculta existente em todas as coisas, boas ou más.

Mesmo que a premissa pareça piegas, o roteiro bem amarrado e as boas atuações fazem de Beleza Oculta um bom programa para a família, com uma mensagem de fraternidade e esperança que vai tocar fundo nos mais sensíveis. É notável o esforço de Will Smith para entregar uma performance acima da média, já que desde de Á Procura da felicidade o ator tem parecido esquecer da própria carreira em favor de promover a dos filhos mais jovens - que felizmente não fazem parte do elenco.

Beleza Oculta pode não ser um dos melhores filmes de 2016, mas em tempos de desesperança e dramas na vida real, um pouco de otimismo sempre vale a pena.

Cotação: ***

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