Crítica: DivertidaMente

A Pixar não deixou de ser a Pixar. Fica muito óbvio logo aos primeiros minutos do seu novo trabalho que a criatividade sem limites dos criadores de roteiros incríveis como Monstros S/A e Ratatouille permanece intacta, mesmo após uma temporada produzindo sequencias de seus sucessos e um filme original visualmente impressionante mas de pouco impacto no ponto de vista narrativo (Valente). 

Mas o grande diferencial desta produtora espetacular, que juntamente com a o Estúdio Ghibli de Hayao Miyazaki elevou o cinema de animação ao nível de obra de arte indiscutível, é a cereja do bolo de DivertidaMente: a ousadia. Com uma narrativa e um visual inovadores, a Pixar novamente brinca com um tema de difícil leitura para uma animação para a família, e o resultado é novamente arrebatador. E vai fazer você se emocionar, demais, mais uma vez.


O filme acompanha a vida da menina Riley no ponto de vista de suas emoções, que ajudam a controlar as suas ações de dentro de sua mente. Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo, na teoria, vivem em harmonia e acreditam que a vida da menina é perfeita, até que os pais de Riley resolvem mudar de cidade e a garota vê seu mundo virar de cabeça para baixo, colocando suas emoções em conflito, principalmente Alegria e Tristeza. Para ajudá-la a superar este momento ruim, as emoções terão que aprender a trabalhar de uma forma que nunca imaginaram.

Esta premissa rende situações hilárias - principalmente com as sequencias que envolvem as emoções Medo e Raiva - e alguns momentos que são pura emoção, o que já se espera de um roteiro bem amarrado e da direção de Pete Docter (Up, Monstros S/A). DivertidaMente não apela para melodramas, pois aposta na força dos personagens, todos bem construídos tanto visual quanto narrativamente. A composição dos protagonistas é um toque de gênio, pois não é preciso nenhuma apresentação para que os reconheçamos. E se considerarmos a arte geral e os cenários desenvolvidos pela equipe de produção, talvez tenhamos o mais rico trabalho do estúdio desde Monstros S/A, o que não é pouca coisa.

Como em todos os trabalhos da Pixar, há de se pensar que diversos aspectos da animação possam refletir eventos da vida dos artistas envolvidos em seu desenvolvimento. Procurar estes easter-eggs tornou-se um dos mais agradáveis desafios ao se assistir uma nova produção da casa, o que ainda renova a vontade de um repeteco na sessão para novos detalhes. Um deles é de fácil percepção: Riley é nativa de Minnesota, onde também nasceu o diretor, Pete Docter. Não é fácil somar um mais dois e notar que, provavelmente, o diretor também deva sentir muita falta da terra natal.

A mensagem que a Pixar deixa com DivertidaMente? Nem tudo aquilo que queremos, que sonhamos, conseguiremos alcançar, pois obstáculos, tristezas e derrotas virão pelo caminho. Mas não significa que não poderemos seguir em frente, acertar o passo, e encontrar o caminho para a felicidade. Não parece uma equação simples para um filme direcionado à família, mas a Pixar já demonstrou outras vezes que o óbvio nem sempre é tão emocionante e ao mesmo tempo tão divertido.

Cotação: ****

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