Crítica: Whiplash - Em busca da perfeição

O jovem diretor Damien Chazelle, antes de dedicar-se ao cinema, estudou música e sonhava tornar-se um artista de sucesso. Não é estranho notar que sua ainda pequena filmografia - um curta metragem e três longas, sendo um atualmente em produção - tenham como tema os bastidores do mundo da música, mais especificamente do Jazz, uma de suas paixões.

Chazelle teve problemas com um professor na universidade, e suas experiências levaram à criação do personagem Terrence Fletcher, interpretado por um espetacular J.K. Simmons em Whiplash - em busca da perfeição.


O filme acompanha a trajetória do jovem Andrew (Milles Teller), estudante de um conceituado conservatório musical. Quanto tem a chance de entrar para a banda oficial de sua universidade, regida pelo seu mais exigente professor, Andrew descobre os limites físicos e psicológicos da sua arte enquanto lida com métodos de ensino nada ortodoxos e seus próprios fantasmas interiores. 

Whiplash tem chamado atenção da crítica especializada principalmente pela atuação de sua dupla de protagonistas - que também tem Milles Teller acima da média. Mas é interessante notar outros aspectos da obra, principalmente considerando a inexperiência de seu diretor. Além do roteiro conciso que tem diálogos excelentes, a direção de fotografia se destaca: o uso contínuo de close-ups e a movimentação intensa da câmera fazem com que o público se sinta no palco junto à orquestra. E a trilha sonora é sensacional: para quem gosta de jazz, é um espetáculo à parte. 

Como no recente Cisne Negro Darren Aronofsky tratou com maestria do tema da obsessão pela perfeição artística, em alguns momentos Whiplash parece repetir-se. Mas Chazelle intensifica a questão patológica da obsessão tanto no professor quanto no aluno; se os métodos de Fletcher são intensos - uso de força bruta, pressão psicológica e até mesmo bullying - , o jovem Andrew não fica para trás, sacrificando vida social, relacionamentos afetivos e até mesmo sua saúde física. E é exatamente quando as duas fortes personalidades entram em choque que Whiplash ganha força, com um terceiro ato simplesmente sensacional.

O diretor também mostrou personalidade inserindo críticas veladas ao meio artístico. Frases como jazz não é para qualquer um ou músicos ruins acabam nas bandas de rock não são ditas de forma gratuita, principalmente se pensarmos que o filme é de um ex-estudante de música. Analisado de forma mais contundente, Whiplash parece muito mais um roteiro adaptado que um trabalho original. E isso o torna ainda mais interessante.

Cotação: ****

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