Crítica: Êxodo - Deuses e Reis

A formula do épico capa e espada rendeu frutos para Ridley Scott em 2000, com Gladiador. Utilizando efeitos especiais de ponta para recriar o Império Romano e muita ação em batalhas sensacionais, o filme impressionou o mundo e levou o Oscar de melhor filme - um feito e tanto, principalmente levando em conta seu lançamento distante do período de premiações. De lá pra cá, o diretor tentou a sorte no gênero por outras duas vezes - com Cruzada e Robin Hood, no segundo repetindo a parceria com Russel Crowe - mas sem muito sucesso. Agora, ele buscou ajuda no livro do Gênesis para tentar voltar ao sucesso nos blockbusters.

Êxodo: Deuses e Reis é a nova aposta do bem sucedido diretor de Blade Runner, Alien e Thelma e Louise. O filme chega aos cinemas em um momento em que os grandes épicos bíblicos estão aos poucos reconquistando seu lugar com as audiências mundiais.



Mas se no início do ano o Noé de Darren Aranofsky dividiu opiniões com sua narrativa ousada e cheia de liberdades criativas, Êxodo - Deuses e Reis optou por seguir um caminho mais simples, com relativa fidelidade ao texto bíblico e caprichando nos efeitos visuais para transportar o público para um Egito antigo grandiosamente recriado.

A trama não difere muito de outras versões do conto bíblico já apresentadas no cinema, como Os dez mandamentos ou mesmo a animação O príncipe do Egito, mas é beneficiada pelos avanços tecnológicos, que fazem que sequencias como as das sete pragas e a abertura do Mar Vermelho - reimaginada e um pouco mais crível - impressionem. Há obviamente uma grande sequencia de batalha, belamente coreografada e produzida, mas que não traz grandes inovações e também não agrega muito à história.

Nota-se em cada frame que Ridley Scott não poupou esforços para tornar crível a ambientação de seu filme. Entretanto, este cuidado esmerado não é sentido da mesma forma no roteiro, e alguns personagens simplesmente não dizem a que vieram - incluindo uma favorita do diretor, Sigourney Weaver, que pouco tem a fazer, e Sir Ben Kingsley, que precisa urgentemente trocar seu agente em Hollywood. Os protagonistas, contudo, não decepcionam. Joel Edgeton, que foi a grande surpresa de O Grande Gatsby, novamente chama a atenção na pele de Ramsés. E Christian Bale, competente como de costume, faz de seu Moisés o típico herói trágico, mas é prejudicado pela composição visual do personagem.

Êxodo - Deuses e Reis certamente não entrará para o hall de grandes filmes de Ridley Scott, mas deve agradar o grande público. Para os fãs do diretor, servirá como aperitivo para o esperado retorno para a ficção científica, com as continuações do clássico Blade Runner e do recente Prometheus. Deuses e reis, nas próximas produções de Scott, não irão faltar.

Cotação: **

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