Crítica: Lucy

Luc Besson é um dos diretores que mais acredita nos filmes de ação com protagonistas femininas. São dele, entre outros, Nikita, Joana d´Arc e O Quinto Elemento, produções que mostram mulheres fortes em tramas com muito tiroteio e correria. Dito isto, o diretor convidar Scarlett Johansson - que tem se destacado como a Viúva Negra nos filmes da Marvel Studios - para protagonizar um de seus filmes era um passo natural. Uma pena que a união do diretor e da atriz venha através de um projeto tão controverso.

Lucy não trata de um tema original: a premissa já foi utilizada pelo filme Sem Limites, protagonizado por Bradley Cooper. Para tentar soar diferente, Besson lota a história de metalinguagem e imagens surrealistas, com o único intuito de impressionar o público. Não dá certo.


Lucy é uma norte-americana que está de passagem por Taiwan, entre bebedeiras e curtição. Até que um dia um pretenso namorado pede que ela entregue uma maleta a um homem desconhecido. Apesar de desconfiada, ela acaba induzida a fazer a entrega, e acaba refém de uma quadrilha que está por trás de uma nova droga poderosa. Obrigada a carregar a droga dentro do próprio corpo para a Europa, ela acaba por acidente absorvendo grande parte da substância, que dá a ela poderes sobre-humanos graças a possibilidade de fazê-la acessar toda a capacidade de seu cérebro.

O que deveria ser uma ficção com elaboradas cenas de ação acaba se tornando um inusitado pastiche dos filmes de super-herói, uma vez que os poderes de Lucy mais parecem os da Fênix - personagem clássico dos gibis dos X-men. 

Besson bem que tenta dar alguma credibilidade científica ao tema, apoiado no personagem de Morgan Freeman - que está se especializando em papéis descartáveis em super produções - mas o caldo desanda sempre que as soluções visuais escolhidas pelo diretor aparecem. Diferente do que Danny Boyle fez em Em Transe, aqui os grafismos são exagerados e, por vezes, despropositados. Fica óbvia também a tentativa do diretor de aproximar-se dos recursos narrativos utilizados por Terrence Malick no excelente A árvore da vida, mas Besson consegue mais arrancar risos da platéia do que efetivamente fazê-la pensar.

O problema de Lucy também é o humor involuntário. Não se trata de um filme de ação que não se leva a sério, como Os Mercenários, por exemplo. Mas o riso aqui acaba acontecendo pela fluidez nada ortodoxa da trama, que interfere nas atuações. Scarlett Johansson parece perdida, sem saber muito bem que tom dar ao personagem. Embora nas primeiras cenas a atriz convença como uma moça frágil em pânico por uma situação inusitada, depois tudo acaba ficando mecânico demais. Literalmente é como se equipe técnica e elenco estivessem sob efeitos de drogas pesadas - o que apesar de ser o tema do filme, nem de longe é um elogio.

Lucy conseguiu se destacar entre as produções do verão americano mais pelo carisma da protagonista do que efetivamente pela sua qualidade. Se é para trazer os filmes de ação definitivamente para as mulheres, que ao menos seja com um pouco mais de dignidade. Pelo menos aqui o final não indica que teremos uma continuação - embora nunca se saiba o que se passa na cabeça do pessoal de Hollywood...

Cotação: *

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