Crítica: Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário

Não há como falar de Cavaleiros do Zodíaco sem contar um pouco da história de sua influência na cultura pop brasileira. A série japonesa, um fenômeno de audiência nos anos 90, foi responsável pelo estouro dos animes (desenhos animados japoneses) em nosso país, consolidou todo um mercado editorial exclusivo e dedicado aos produtos japoneses e transformou os atores responsáveis pela dublagem em verdadeiros astros - um reconhecimento ao trabalho destes profissionais que começou graças à paixão dos fãs dos Cavaleiros de Athena e expandiu-se para toda a produção televisiva e cinematográfica.

Toda essa paixão pela série é justificável; misturando de forma inteligente as mitologias grega, nórdica e romana com valores como confiança, amizade, determinação e persistência, Os Cavaleiros do Zodíaco acompanharam toda uma geração que consumia de forma ardorosa tudo que era derivado da série, de revistas a figuras colecionáveis.

Depois de alguns anos sem novidades na tela grande sobre a série - a última foi em 2006, com o filme Prólogo do Céu -, eis que um projeto ambicioso e arriscado foi desenvolvido pela Toei Animation para homenagear os 40 anos de carreira do criador Masami Kurumada: um longa metragem em computação gráfica que modernizaria o visual dos personagens e adaptaria o arco mais adorado pelos fãs da série, a Batalha das Doze Casas. Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário chega para provar que ainda faltam muitos anos para os ponteiros do relógio de fogo que simboliza a popularidade da série começarem a apagar.


Embora seja um produto claramente direcionado aos fãs e iniciados na mitologia da série, Lenda do Santuário segue a cartilha básica de um filme para o grande público: a história se desenvolve de forma linear, com diálogos simples e bem humorados; a animação é primorosa, e conta com efeitos especiais competentes; e a trilha sonora complementa a ação perfeitamente, com uma bela canção enfeitando os créditos (Hero, interpretada pela cantora oriental Yoshiki). Entretanto, como esperado, os 90 minutos de projeção são pouco para a complexidade da história a ser contada, o que levou a alterações drásticas na narrativa e nos personagens, que irão deixar os fãs um pouco decepcionados.

Considerando que os motivos que tornaram a série idolatrada por tantos ao redor do globo foi a singularidade de cada um dos seus personagens e a intensidade das relações que existem entre eles, pode-se dizer que Lenda do Santuário perde uma parte importante de sua essência. Não há tempo para desenvolver as personalidades sequer dos protagonistas, e alguns estão ali apenas para pontas de luxo. Tudo é rápido e raso demais, e momentos chave de impacto emocional são simplesmente deixados de lado, ou sequer mostrados. Algumas alterações funcionam, mas as que falham acabam prejudicando o resultado final.

Obviamente é a força da criação de Kurumada que segura A Lenda do Santuário apesar de todos os problemas apontados. O filme aposta na nostalgia, e até brinca com alguns clichês de forma engraçada (Shiryu é o alvo da maioria deles). Na parte visual, o design das armaduras está fantástico, e houve uma preocupação em modernizar a trama - o que aproxima um pouco o público mais jovem que conhece a série pela produção mais recente, Saint Seiya Ômega. 

Para os brasileiros, o maior trunfo do filme é a espetacular dublagem, que traz de volta todos os profissionais que atuaram na série clássica, com exceção de Valter Borges, falecido em 2013, e que dava voz ao Cavaleiro de Ouro Camus de Aquário. É impossível não se emocionar e sentir-se de volta a infância ao ouvir Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki explodindo seus cosmos e utlizando seus poderes especiais nas vozes de Hermes Barolli, Élcio Sodré, Letícia Quinto e companhia. 

Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário é um aperitivo para toda uma comunidade que espera ansiosa por novidades dos Cavaleiros de Athena. Para quem é fã de verdade, nada melhor que saber que a série continua viva e pronta para seguir por novos caminhos. Mesmo que o sétimo sentido não tenha sido alcançado nesta produção.

Cotação: **

Comentários

  1. Bom texto. Soube que a participação de Afrodite é inexpressiva, o que me chateia.

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  2. Obrigado, Márnei. Sim, realmente o Cavaleiro de Peixes é o que mais sofre com os cortes da trama.

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