Crítica: As Tartarugas Ninja

Quando as Tartarugas Ninjas chegaram às telas na década de 90, o Cinema de Entretenimento era um pouco diferente do que temos hoje. Filmes de aventura e fantasia voltados para o público jovem eram uma raridade. Nos dias atuais, entretanto, esse filão rentável é prioridade na maioria dos estudios, que investem cada vez mais pesado em grandes produções cheias de efeitos especiais.

Talvez este ponto explique o porquê dos quelônios já não causarem um frenesi tão grande frente ao público. Mesmo que os antigos filmes usassem efeitos antiquadros e atores fantasiados, ainda despertam a nostalgia dos fãs. No entanto, técnica apurada e visual estravagante não ajudam o novo As Tartarugas Ninjas, que sofre com um roteiro ineficiente e personagens nada carismáticos.


O efeito Michael Bay pode ter ajudado bastante para reduzir a qualidade final da aventura. Embora apenas atuando como produtor executivo, Bay imprime seu ritmo alucinado ao filme, bem como as - desnecessárias - explosões, e um excesso de Megan Fox para uma trama que deveria focar os protagonistas verdes e escamosos.

O que se vê em As Tartarugas Ninjas é um excesso de zelo pelas cenas de ação e um total descaso pela personalidade dos grandes astros; embora visualmente haja uma diferença entre as tartarugas - Rafael é o brutamontes anabolizado; Donatello o nerd desajeitado; Leonardo o líder certinho; e Michelangelo o alívio cômico descerebrado - não há tempo suficiente para desenvolver de forma convincente estas características, tão marcantes nos filmes anteriores. A April O´Neal de Megan Fox é a verdadeira protagonista, com o personagem assumindo uma função totalmente diferente do original e ganhando uma atenção desnecessária - ainda mais se levarmos em conta a falta de talento da moça.

Mas se Megan Fox compensa o fracasso atuando com o corpo perfeito (aproveitado à exaustão), não se pode dizer o mesmo do restante do elenco, cuja canastrice rivaliza com a fragilidade da narrativa. O Destruidor, um personagem interessante principalmente nos quadrinhos, é reduzido a uma miniatura de Transformer - com uma armadura tecnológica que é tão ou mais ridícula que o Samurai de Prata de Wolverine: Imortal - e seus capangas do Clã do Pé mal dizem a que vieram. O vilão de William Fichtner é ridiculamente previsível, e as caras e bocas do ator só pioram a situação. Não ajuda também algumas soluções do roteiro, como o fato de Splinter ter aprendido ninjitsu ao folhear as páginas de um livro. Você até esquece o quão ridículo é um rato e tartarugas saberem lutar artes marciais depois de um absurdo destes.

As Tartarugas Ninjas também não inova em nenhum aspecto. Mesmo com a expectativa de se explorar caminhos diferentes em uma possível sequencia - como a Zona Negativa, e vilões clássicos como Krang - não foi deixado na história nenhum gancho que justifique esta possibilidade, que ainda depende, também, do sucesso comercial desta reabertura da franquia (já confirmado após a excelente abertura nos EUA).

Uma sessão de As Tartarugas Ninja vale mais pela curiosidade do que efetivamente pelo filme. Se você é fã dos seres do esgoto, provavelmente vai ficar decepcionado. Mas se o objetivo for apenas uma diversão com as crianças, a sessão pode até valer a pena.

Cotação: **

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: Logan

Crítica: A Cabana

Crítica: A Bela e a Fera