Crítica: O Espetacular Homem Aranha 2 - A ameaça de Electro

Há um problema sério com o título escolhido para a nova cinessérie do Homem Aranha nos cinemas: ela não é espetacular. A culpa, entretanto, não é da parte visual dos filmes, que está dando um banho de perícia (os vôos do aracnídeo pelas paredes de Nova York são simplesmente perfeitos), mas da preguiça e obviedade dos roteiros. Se O espetacular Homem Aranha pecava por apresentar a - desnecessária - trama com os pais de Peter, O espetacular Homem Aranha 2 faz ainda pior: insiste no erro, e ainda coloca mais uma dúzia de histórias paralelas, sem desenvolver de forma satisfatória nenhuma delas. 

É claro que nem tudo é um balde de água fria para os fãs, mas aqueles que esperavam uma sequencia melhor que o filme anterior irão realmente se decepcionar. O espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Electro já não funciona se analisarmos o próprio subtítulo da aventura, totalmente desconexo com a trama.


Na aventura, Peter Parker, já completamente à vontade como o herói aracnídeo e amigo da vizinhança, enfrenta um dilema em seu romance com Gwen Stacy, tendo visões frequentes do pai da moça, a quem prometeu que iria afastar-se dela. Ao mesmo tempo, na Oscorp, seu amigo de infância Harry (Danne DeHaan) retorna para receber o legado da empresa e da enfermidade do pai - ambas, diretamente ligadas com Peter e sua família. O embate com o velho amigo levará o Homem Aranha a enfrentar três terríveis inimigos: Rhino, uma máquina de destruição tecnológica comandada pelo Russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti); o Duende Verde - em uma versão bastante diferente da apresentada por Sam Raimi na trilogia original; e Electro, um ex-fã do aracnídeo que após um acidente na Oscorp se torna uma terrível criatura que se alimenta de eletricidade.

Parece que a única preocupação da equipe do longa era fazer o Electro funcionar visualmente. Para isso, deixaram de lado o visual clássico dos quadrinhos e foram inspirar-se no Universo Ultimate (algo já feito pela Marvel Studios com Os Vingadores). Seria digno de elogios não fosse um pequeno problema: esqueceram de avaliar se o personagem tinha importância na história. A impressão que fica ao se ver  O espetacular Homem Aranha 2 é que a tal "ameaça" do título poderia facilmente ter sido deixada para trás na mesa de roteiro. Mesmo contribuindo para um desfile de efeitos especiais muito bem realizados, o Electro não convence, pois toda a narrativa estruturada por trás dele é fraca e parece ter sido escrita por uma criança de cinco anos. As motivações do personagem para odiar o Homem Aranha são tão rasas que nem vale a pena perder tempo discorrendo sobre elas. Um baita desperdício de talento de um ator do porte de Jamie Foxx.

Para desvencilhar-se totalmente da trilogia de Sam Raimi, o produtor Avi Arad também propôs mudanças em outros personagens importantes, e no próprio Aranha. A ideia era trazer de volta o espírito do personagem nas HQs, deixando-o mais jovial e brincalhão. Andrew Garfield até havia acertado o tom no primeiro filme, mas aqui a fórmula foi usada vezes demais e começa a desandar. Se nas primeiras sequencias é engraçado ver o aracnídeo trollando uma gangue de terroristas (entre eles Paul Giamatti, em um personagem que está no filme apenas como aperitivo de luxo para as aventuras seguintes), mas à frente fica tedioso, pois o recurso é simplesmente usado sem ter qualquer apoio narrativo. Não fosse a química de Garfiel e Emma Stone (que continua linda e apaixonante como o amor do herói) até o personagem principal se perderia no filme. Este ponto é extremamente preocupante, pois quem conhece o herói sabe que o romance com Gwen tem um final trágico - e como ficaria o desenvolvimento da franquia depois daí se os roteiristas realmente seguirem por este caminho?

O que exatamente causava mais preocupação para os fãs é o grande acerto do filme: o Duende Verde. Desta vez, o dono do planador é Harry Osborn. Apesar da mudança na origem, o desenvolvimento do personagem é o que se mostra um tantinho mais interessante, e seu conflito com Peter acaba dando o tom da aventura. O ator Danne DeHaan, que já havia surpreendido em Poder sem limites, tem a chance de apresentar o vilão com um visual mais fiel (na trilogia original ele parecia um inimigo dos Power Rangers) e é, na real, a verdadeira ameaça do roteiro. Que o digam as sequencias finais.

O espetacular Homem Aranha 2 nitidamente sofre pela própria ganância da Sony, que quer um filme do aracnídeo a cada dois anos nos cinemas. Para um projeto deste porte, em que geralmente não há roteiro fechado quando as câmeras começam a rodar, é pouquíssimo tempo para se conseguir um resultado minimamente convincente. Resta acreditarmos que os planos ousados para esta série prometida em quatro filmes melhorem com a terceira parte, em que provavelmente veremos o grupo de heróis Sexteto sinistro como antagonistas oficiais. Ou o mico vai acabar sendo maior do que um rinoceronte, ou o Rhino, se você preferir assim.

Cotação: **

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