Crítica: Capitão América - O soldado invernal

Trabalhar um personagem como o Capitão América não é uma coisa nada fácil. Pode-se dizer que ele é uma caricatura do imperialismo Norte-americano, levemente disfarçado pela personalidade nobre e ética, mas que no uniforme estampa com graça as cores da bandeira ianque. Assim dizendo, a ideia de que o personagem pudesse fazer sucesso no mercado globalizado que é o Cinema de hoje sempre foi uma incógnita. 

Mas a Marvel não apenas insistiu em lançar um dos seus personagens mais importantes como também o colocou como figura de destaque em sua mais ousada empreitada cinematográfica. O resultado, Os Vingadores, tomou de assalto as bilheterias em 2012 e já está criando frisson pela aguardada sequência, A Era de Ultron, prevista para o próximo ano. E o bandeiroso chega a sua segunda aventura solo mostrando ainda mais vitalidade, com um roteiro imprevisível, cheio de reviravoltas e que bebe na fonte dos clássicos de espionagem do cinema moderno.


Capitão América - O soldado invernal é o típico filme que coloca um sorriso no rosto dos fãs de quadrinhos mas que não deixa por menos com o público em geral. Movimentado, bem coreografado e com efeitos especiais competentíssimos, o filme sobe um andar a mais nos planos da Marvel de consolidar seu Universo nas telas, mas agora também unindo forças com a TV - a série Agents of Shield será intensamente impactada pelos eventos do filme.

A ação começa dois anos após os eventos de Os Vingadores, com o Capitão atuando como colaborador da S.H.I.E.L.D. em diversas missões ao redor do mundo. Mas nos bastidores da agencia, um plano de dominação de um antigo inimigo está em curso, e colocará Capitão América, Viúva Negra e o novo herói Falcão contra o Soldado Invernal, um agente soviético dotado de força e agilidade comparáveis aos do Sentinela da Liberdade. 

Os irmãos Joe e Anthony Russo não poupam esforços para fazer de Capitão América - O soldado invernal um filme explosivo e cheio de ação. Desde a sequencia inicial ao imprevisível terceiro ato, não faltam motivos para os atores suarem a camisa, em especial Chris Evans. Diferente do primeiro filme, em que o Capitão ainda estava se acostumando aos seus poderes e não tinha total domínio de suas capacidades, aqui vemos Steve Rogers mostrando ser um verdadeiro super herói; as cenas de combate misturando diversos tipos de artes marciais são fantásticas, e o escudo está sendo utilizado com ainda mais precisão, parecendo literalmente ser uma extensão do corpo do herói, como nos quadrinhos. E para completar, a entrada do Falcão é um show à parte, principalmente pelo visual do personagem e pela atuação de Anthony Mackie, que se mostra muito à vontade em ação. 

Se no último filme de James Bond alguns fãs mais xiitas ficaram insatisfeitos pela falta de boas sequencias de espionagem, pode-se dizer que sairão satisfeitos de uma sessão de Capitão América 2. A trama tem reviravoltas bastante interessantes, e a sensação de insegurança é constante, para todo e qualquer personagem. Os diretores acertaram a mão no tom da aventura, que mudará - muito! - a estrutura do Universo Cinematográfico da Marvel como o conhecemos. Talvez depois do primeiro Thor, esse seja o filme com mais referências e easter-eggs entre os já lançados - fique de olho em uma menção, inclusive, à Stephen Strange, ninguém mais ninguém menos que o mago supremo da Marvel, o Dr. Estranho.

Capitão América - O soldado invernal vai surpreender muita gente. Mantendo-se esta qualidade para os próximos lançamentos, não será estranho se tivermos em breve todos os novos filmes do estúdio no clube do bilhão. Neste caso, bilheteria e qualidade estão, sim, caminhando lado a lado.

Cotação: ****

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