Crítica: Universidade Monstros

Depois de ganhar mais um Oscar com Valente, a Pixar está novamente em alta. Não que Carros 2 seja uma mancha no curriculum para lá de premiado do estúdio, mas muita gente ainda cisma que a franquia dos seres de quatro rodas - que está gerando um spin-off que chega aos cinemas em setembro, Aviões - tenha objetivos puramente comerciais e nada artísticos, ao contrário do que John Lasseter insista em contar em suas inúmeras entrevistas sobre o assunto. Polêmica ou não, é fato que até pouco tempo atrás não se falava em continuações para os filmes da Pixar, apenas para a franquia Toy Story. Hoje, é uma realidade.

Essa realidade se expande com a chegada aos cinemas de Universidade Monstros. Mas com uma cara diferente: aqui, não temos uma sequencia, mas sim um prequel. Ou seja, vamos saber o que aconteceu com os personagens de Monstros S/A antes da aventura de 2001. 


Universidade Monstros foca suas atenções no personagem dublado pelo impagável Billy Crystal, alguns anos antes dos eventos de Monstros S/A. Mike Wazowski está realizando seu sonho de infância, estudando na Universidade Monstros, e freqüentando a escola de sustos, onde conhece diversos monstros assustadores, dentre eles seu futuro melhor amigo James P. Sullivan. Mike, que é disciplinado e esforçado, consegue se destacar mais que Sully, que mesmo grande e assustador não desenvolve suas potencialidades, apenas preocupando-se com a concorrência e com sua reputação. Este embate levará os dois a um desentendimento com a diretora da Escola de Sustos, Hardscrabble, que os expulsa do programa, alegando que ambos não são assustadores de verdade. 

Vendo seu sonho desmoronar, Mike vê como única esperança provar seu valor para Hardscrabble, vencendo os Jogos Anuais de Susto, uma competição entre Irmandades de Monstros do Campus. Aliando-se aos colegas também considerados perdedores da Oozma Kappa, Mike e um inicialmente incrédulo Sully entram para os jogos e terão que vencer, dentre outros, os favoritos da Roar Ômega Roar, os monstros mais populares da Universidade. 

A grande sacada de Universidade Monstros é construir os personagens de forma a mostrar de onde vêm suas motivações e o que os tornou as figuras adoráveis (ou não) do filme que todos conhecemos e tanto gostamos. Mike Wazowski é um sonhador, um pequeno monstro que sonha tornar-se o maior assustador do Campus para um dia fazer sucesso na Monstros S/A, mas não entende que não leva nem um pouco o jeito para a coisa, enquanto James P. Sullivan é um arrogante bully que vem de uma família de monstros com uma reputação irrepreensível na arte dos sustos. Já o vilanesco Randall é mostrado como um nerd desajeitado e com baixa estima. À medida que a história se desenvolve, as razões para a amizade e inimizade entre eles vai surgindo de maneira bem amarrada, da forma que só a Pixar sabe fazer. A preocupação com a narrativa, como sempre, está presente.

O diretor Dan Scanlon assina seu primeiro longa metragem com a produtora, tendo sido seu trabalho anterior o curta da série Cars Toon Matte e a luz fantasma. O trabalho é excelente, e deve-se louvar a coragem de seguir pelo prequel ao invés da escolha mais óbvia que seria uma sequencia do filme original. Mostrando que evolui tecnologicamente a cada filme, aqui podemos ver que a Pixar incluiu cenas inteiras com inúmeros personagens na tela – e, pasmem! – com características totalmente distintas entre eles. Levando-se em conta que estamos falando de um filme de monstros, e que estas criaturinhas podem ter qualquer forma e tamanho, imaginem só o trabalho que o pessoal lá de Emeryville não teve para finalizar cada minutinho de Universidade Monstros. O design de produção é fantástico também por captar a essência da necessidade de tornar o rejuvenescimento dos personagens crível, mas ao mesmo tempo manter suas aparências facilmente reconhecíveis. Um trabalho genial.

Seja com longa metragens originais, sequencias, prequels ou curta metragens (o que acompanha Universidade Monstros, O Guarda chuva azul, é simplesmente pura poesia), a Pixar permanece mestra em sua arte e o estúdio que domina o ramo de animação no Cinema na atualidade. Que venham mais filmes, mais sucessos, e mais prêmios.

Cotação: ****

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