Crítica: Meu Malvado Favorito 2

No concorridíssimo mundo da animação digital, emplacar um projeto fora de um estúdio prestigiado pode ser considerado uma façanha para poucos. Dito isto, os mais de 500 milhões de dólares arrecadados nas bilheterias por Meu Malvado Favorito, longa do até então desconhecido Illumination Entertainment (divisão da Universal Pictures, que havia desistido da animação desde o fracasso de Os Dinossauros Voltaram), se tornam ainda mais impressionantes.

Não é surpresa esta continuação chegar aos cinemas tão rápido, principalmente considerando o sucesso que os personagens do filme tem feito nos parques temáticos, em campanhas publicitárias e nos milhares de produtos licenciados. Meu malvado favorito 2, no entanto, não é apenas fruto de uma necessidade mercadológica para manter acesa a marca lucrativa que são os Minions - que, aliás, terão seu próprio longa em 2015 -, mas uma divertida comédia que mantém a inteligência do primeiro filme, e vai agradar tanto aos pequenos quanto aos grandes.


Nesta continuação, Gru aposentou o esconderijo secreto e vive uma pacata vida de pai de família, junto de Edith, Margo e Agnes, até que a Liga Anti-Vilões resolve recrutá-lo para auxiliar numa missão que pode ajudar na salvação do mundo. Gru reluta, mas acaba cedendo ao encantar-se pela parceira da missão, Lucy. Usando seus antigos conhecimentos na arte da vilania, Gru ajudará Lucy a descobrir qual dos malfeitores na ativa é o responsável pelo roubo de uma perigosa substância tóxica, ao mesmo tempo que lutará para superar traumas de infância que afetaram sua vida amorosa. O clima de romance também atingirá Edith, que se encantará por um jovem latino, e até o Minion Dave será atingido pela flecha do cupido. 

Os diretores Pierre Coffin e Chris Renaud novamente acertam a dose entre a ação e o humor, com destaque para a fofice e encanto dos personagens. Se a Disney fez escola criando coadjuvantes memoráveis para seus filmes de animação, na última década o estúdio perdeu a coroa; os Minions juntam-se aos Pinguins de Madagascar e ao Esquilo Scrat como as criaturinhas mais adoráveis do cinema animado atual, e, se pensarmos com cuidado, nenhuma destas criações é originária do estúdio do Mickey. Mas falando de Minions, os amarelinhos fazem a festa em Meu malvado favorito 2: com mais tempo de tela, eles ganham outros formatos, cores diferentes, relevância fundamental na história e até um número de dança engraçadíssimo onde parodiam o grupo Village People. 

Em termos de melhoria técnica, fica difícil notar grandes mudanças nos cada vez mais caprichados trabalhos dos animadores. Hoje, o diferencial são as elaboradas sequencias de ação, que exigem mais efeitos especiais. Meu malvado favorito 2 não extrapola estes limites artísticos, mas entrega algumas cenas grandiosas, principalmente no terceiro ato, quando Gru tem o embate final com o vilão, que por sinal funciona muito melhor que o do primeiro filme.

Apostando nos grandes nomes do Cinema para o elenco, da mesma forma que a Dreamworks, a Illumination continuou nesta continuação a escalar grandes estrelas para dar vida aos seus personagens. O destaque foi Lucy, vivida com vigor por Kristen Wiig, que tem uma boa química com Steve Carrel (Gru). A versão nacional não compromete a diversão, com Leandro Hassum desta vez acertando o tom como o protagonista e Maria Clara Gueiros (a Mittens de Bolt, supercão) em mais um trabalho de dublagem praticamente perfeito.

Meu malvado favorito 2 mantém uma tendência no Cinema atual que é uma surpresa bem vinda: a de que as continuações perderam o ranço de serem sempre inferiores aos filmes originais. Ainda existem exceções, mas já é uma grande vitória do público. Ganham os estúdios e ganhamos nós, que amamos o bom Cinema, e, claro, que amamos os Minions. É impossível não morrer de rir com eles.

Cotação: ***

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