Crítica: Guerra Mundial Z

Brad Pitt é um dos maiores astros de Hollywood, e este status lhe dá a chance de, como poucos, escolher a dedo os projetos em que irá participar. Nos últimos anos, optou por uma carreira mais diversificada, alternando papéis em dramas (Clube da luta, O assassinato de Jesse James), comédias alternativas (Queime depois de ler) e um ou outro blockbuster, como os fracos Tróia e Sr. e Sra. Smith, em que se encantou pela parceira de set Angelina Jolie e engatou um bem sucedido relacionamento que perdura até então. Mas apesar do curriculum bastante eclético, chamava a atenção na ficha de Pitt um detalhe interessante: ele ainda não possuía uma franquia cinematográfica que carregasse seu nome.

Não que as chances não tivessem surgido. O ator já havia sido sondado pela Warner para ser um dos vilões da trilogia do Homem Morcego dirigida por Chris Nolan (Harvey Dent, talvez?), e quase protagonizou a estrelada cinessérie Onze Homens e um segredo, do amigo Steven Soderberg, da qual acabou participando como coadjuvante do também camarada George Clooney. Foram precisos muitos anos de negociações até surgir Guerra Mundial Z, um livro narrado em formato jornalístico que contava em detalhes como a raça humana sucumbira a um vetor que causou uma epidemia global catastrófica, e a luta para encontrar uma forma de parar esta ameaça. Brad Pitt enxergou no livro possibilidades para um filme de ação com sequencias de tirar o fôlego, e potencial para se tornar uma lucrativa série. E, pela primeira vez na carreira, estava disposto a ser o protagonista.


Guerra Mundial Z não é exatamente um filme que quer pegar carona no sucesso de The Walking Dead, o sucesso da TV americana que, na terceira temporada, bate recordes de audiência e mantém um público fiel. Apesar de ambos tratarem de temas semelhantes - apocalipse zumbi, como os nerds gostam de dizer - na essência a condução das histórias é totalmente diferente, uma vez que a série já situa o expectador no mundo pós-apocalíptico, enquanto no filme temos a humanidade pouco a pouco entregando-se ao caos, enquanto a figura de um homem comum pode ser a chave para a salvação de todos.

Obviamente que este homem comum é vivido por Brad Pitt. Seu personagem é um oficial da ONU que está afastado do ofício e vive em traquilidade com a família, até que frequentes notícias de surtos patológicos em escala global começam a perturbá-lo. Quando o clímax da pandemia atinge sua cidade e coloca todos que ama em risco, ele decide aliar-se aos antigos colegas para encontrar uma forma de conter a propagação do vírus que transforma os seres humanos em mortos vivos. 

O ritmo frenético escolhido pelo diretor Marc Forster para seu filme é o grande trunfo de Guerra Mundial Z. Ao contrário de outros filmes do gênero, que investem em tramas paralelas totalmente desnecessárias, Forster optou por introduzir a ação logo no começo, poupando seus personagens por pouquíssimos minutos. Além da belíssima montagem, os efeitos especiais são de tirar o fôlego. Algumas cenas já haviam sido mostradas à esmo nas prévias, mas nas telas gigantes do cinema o impacto é realmente bem mais significativo. 

Não fossem os problemas sérios de roteiro, a experiência de assistir Guerra Mundial Z seria bem mais interessante. Em alguns momentos, parece que estamos assistindo a outro filme de super herói, dada a quantidade de situações escabrosas às quais o personagem de Pitt sobrevive às vezes sem ter sequer um arranhão. Também vale fazer uma ressalva às muitas liberdades científicas que são tomadas pelos roteiristas, algumas, nitidamente risíveis.

Como qualquer blockbuster de verão que se preze, a preocupação aqui não são atuações Shakespeareanas, por isso não note um Brad Pitt robótico e por vezes apático em demasia (não é o tipo de personagem que exige preparação de um ator). O elenco não tem outros grandes nomes, o que deixa muito claro que o orçamento graúdo foi muito bem gasto com o cachê do astro e os (excelentes) efeitos visuais, e também ajudará o estúdio nos planos das sequencias, que já estão sendo planejadas. Tudo depende, é claro, do sucesso deste primeiro filme nas bilheterias. 

De carona na febre dos zumbis, Guerra Mundial Z é um filme que prometia muito, mas que fica devendo mais inovação. É um bom filme de ação, com ritmo, mas igual a tantos que temos por aí. Considerando que está propenso a se estabelecer como franquia, é preciso um pouco mais. Vejamos as cenas dos próximos capítulos.

Cotação: **

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