Crítica: Se Beber, Não Case 3

Quando chegou aos cinemas em 2009, Se beber, não case fez um barulho impressionante. Com uma narrativa inovadora, um elenco carismático e em boa sintonia, participações especiais espertas (quem não lembra de Mike Tyson, canastrão até dizer chega?) e a direção ágil de Todd Philips, o filme se tornou o maior recordista de bilheteria para uma comédia de censura R (em que menores de 17 anos só podem assistir acompanhados dos pais ou de um responsável). O sucesso rapidamente fez a Warner encomendar uma continuação, que em 2011 repetiu o êxito em bilheteria mas desagradou a crítica e parte do público por repetir a fórmula da primeira aventura quase que totalmente, apenas trocando uma ou outra situação e o ambiente da trama, que sai da agitada e multicolorida Las Vegas para a excêntrica e multiétnica Bangcoc, na Tailândia. 

Seja ou não pela pressão que houve da repetição de ideias, Todd Phillips resolveu não insistir e nesta segunda continuação não reservou uma outra noite de esbórnia e mais uma ressaca para os protagonistas Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis; Se beber, não case 3 é uma aventura de ação com doses de comédia, algo bem diferente do que havia sido visto na franquia.


Talvez o maior problema tenha sido exatamente a mudança de foco: já estávamos acostumados a pensar nos personagens metidos em enrascadas por causa do porre da noite anterior. Se beber, não case 3 foca suas atenções no personagem de Ken Jeong, Mr Show, que ficamos sabendo já de início consegue escapar da prisão na Tailândia, e não demora para entrar em contato com Alan, já que os dois (malucos!) se dão muito bem. Só que Alan passa por problemas, pois sem tomar sua medicação à meses e sofrendo com a morte do pai, obriga a família e os amigos - incluíndo o bando de lobos - a convencê-lo a internar-se em uma clínica para se tratar. É quando estão a caminho do lugar que os quatro companheiros se deparam com o gangster Marshall, um inimigo de Mr. Show que quer se vingar do chinês e recuperar algo que lhe foi roubado. Ele sequestra Doug, e Phil, Alan e Stu terão que encontrar Show e se unir a ele contra Marshall para resgatá-lo.

Obviamente que as situações de humor não faltam, mas em muito menos escala que nos dois filmes anteriores. Se beber, não case 3 tem mais ação, e o non-sense e politicamente incorreto acaba logo nas primeiras sequencias (que envolvem Alan e uma inocente Girafa). Até mesmo o elenco está diferente, e isto pode ser notado, principalmente, em Cooper e Helms. O primeiro, agora astro de primeira grandeza depois da indicação a melhor ator no Oscar 2013, atua no automático e parece já não levar mais Phil tão a sério. E Helms, sem um "acontecimento" como a perda de um dente ou uma tatuagem indesejada fica bem menos engraçado. Heather Graham, cuja presença na história é quase irrelevante, aparece mais nas divulgações do que no próprio filme, e John Goodman, sempre ótimo, é desperdiçado da mesma forma que Paul Giamatti em Se beber, não case 2. Jeong e Galifianakis continuam fazendo rir da mesma forma, e ainda ganham a companhia de Melissa McCarthy, em uma pequena mas engraçada participação.

Todd Phillips compensa estes erros acertando no ritmo da aventura e novamente escolhendo uma trilha sonora na medida para dosar a ação e o humor, mais uma vez conduzida por Christophe Beck, que também trabalhou com o diretor nos outros filmes. Poderemos acompanhar o trabalho do músico em breve sob a batuta dos estúdios Disney no esperado Frozen, adaptação do clássico A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen, que o estúdio lança no fim do ano no formato de animação em CGI.

Com todos estes problemas, Se beber, não case 3 ainda é um trabalho de Todd Phillips e uma continuação da série de sucesso, e por isso vale o ingresso e sua ida ao cinema. As referências aos dois filmes anteriores são engraçadas e todas colocadas no contexto dentro da história que está sendo contada. E se você sentiu saudade dos tempos de ressaca, espere os créditos: a surpresa vai fazer você rolar de rir como nos velhos tempos, e se perguntar se não teria sido melhor uma parte três no mesmo molde das duas anteriores. 

Cotação: **

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