Crítica: Reino Escondido

O Blue Sky estúdios ainda está correndo atrás da sua identidade no difícil jogo que se tornou o Cinema de animação. Enquanto seus concorrentes investem pesado em projetos autorais - caso da Pixar, dos estúdios Ghibli, Laika e alguns estúdios Europeus - ou em franquias de sucesso - como a Dreamworks com os bem sucedidos Madagascar, Kung-Fu Panda e Como Treinar Seu Dragão -,o estúdio tenta emplacar uma outra história diferente da cinessérie A era do gelo, que apesar do sucesso mundial (o último capítulo quase alcançou o bilhão de dólares) arrecada cada vez menos nos EUA e já não entusiasma os críticos há algum tempo. O fraco Robôs, o correto Horton e o mundo dos quem e o colorido e divertidíssimo Rio (cuja sequência já foi anunciada) não conseguiram desempenho que fizesse a produtora se firmar como uma das preferidas do público.

Esta rejeição não deveria acontecer, haja visto a receptividade do curta metragem que antecede o novo filme do estúdio, Reino Escondido, protagonizado pelo esquilo Scrat, mais uma vez obcecado em sua busca insana pela noz que persegue furiosamente pelo mundo glacial de A Era do Gelo: as risadas que ecoam na sala de cinema chegam de todos os lados, de pessoas de todas as idades. O personagem é um verdadeiro sucesso. 

Esta paixão pelo personagem título, no entanto, não se repete quando transcorre na tela o programa principal do dia. Reino Escondido é uma fábula à moda antiga, com princesas, exércitos, um vilão com um plano maldoso e muita aventura em ambientes mágicos e exuberantes. Mas não tem personagens cativantes e tampouco aquele coadjuvante alívio cômico que realmente rouba a cena. É uma animação muito bem produzida, muito bem construída, mas que não vai cativar nem à metade do que poderia.


Com roteiro de William Joyce, pode-se dizer que os produtores esperavam que Reino Escondido fosse bem sucedido. Mas o escritor não tem tido sorte com a adaptação de suas obras para o Cinema, apesar do sucesso literário. A day with Wilbur Robinson, que se tornou a animação da Disney A família do futuro, não fez o barulho que o estúdio do Mickey esperava, apesar do marketing pesado que foi feito à época de seu lançamento; e The Guardians of Childhood, adaptado pela Dreamworks com objetivo de se tornar uma franquia e que chegou aos cinemas em 2012 chamado de A Origem dos Guardiões, apesar do relativo sucesso mundial não fez a quantia necessária para emplacar uma série e acabou engavetado; seu maior êxito foi o Oscar de melhor curta com The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. A união com Chris Wedge, diretor do primeiro A era do gelo, era o prenúncio de que a Blue Sky estava colocando em Reino Escondido todas as suas fichas.

Até mesmo o título da animação (no original, Epic) não esconde a natureza grandiosa da história. Existe uma batalha entre o bem e o mal travada entre seres místicos bem debaixo de nossos olhos, pela qual depende todo o equilíbrio do nosso planeta. De férias na casa do pai, um cientista que vive isolado às margens da floresta e que acredita na lenda e pretende provar sua existência ao mundo, a menina Maria Catarina acaba se envolvendo no conflito ao encontrar-se com a Princesa Tara que, em seu leito de morte, entrega à menina uma importante missão: levar um importante botão de flor em segurança para Nim Galuu, o ancião, sem deixar que caia nas mãos do ardiloso líder dos Boggans, que quer destruí-lo. Com a ajuda do fiel capitão da Guarda dos Homens Folha Ronin e do jovem Nod, ela percorrerá este mundo estranho em um tamanho diminuto, voando em pássaros e fugindo de insetos, e descobrirá a verdadeira motivação do trabalho do seu pai e da sua própria existência.

O problema de Reino Escondido e a sensação constante de "já vi isso em algum lugar". Chris Wedge não ousa, apesar de entregar algumas sequencias de animação belíssimas (que ficam favorecidas pelo uso de cores caprichado que foi utilizado pelos animadores). Como mencionado anteriormente, os personagens não são carismáticos, e suas personalidades repetem trejeitos até mesmo de outros já introduzidos nos próprios filmes da casa (o cachorro de três patas Ozzy é sem sombra de dúvida o personagem com visual e composição mais interessante e original do longa). O elenco tem apenas dois nomes de peso: Colin Ferrel e Josh Hutcherson, que estão apenas corretos em seus personagens. Na versão dublada, o personagem de Ferrel é dublado por um robótico Daniel Boaventura, prova que nem sempre o talento do ator nos palcos é sinal de que valha a pena colocá-lo para dublar um personagem em um filme de animação. No entanto, em contraponto ao colega de Avenida Brasil, Murilo Benício brilha como o Professor Bomba.

Reino Escondido estreou apagado entre alguns blockbusters de início da temporada concorrida de verão, ofuscado também pelo sucesso inesperado da animação pré-histórica da Dreamworks, Os Croods. Ainda não será desta vez que o Blue Sky encontrará sua saída do mundo pré-histórico de A Era do Gelo, já que Rio não é uma franquia de alcance mundial. Os planos para uma continuação desta história (que existiam) já são uma incógnita. Agora é esperar para ver qual será a próxima ideia dos caras que inventaram o esquilo mais legal depois do Tico e do Teco. Com certeza talento para eles não falta.

Cotação: **

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