Crítica: A sombra do inimigo

Tyler Perry é uma daquelas esquisitices de Hollywood que ninguém consegue entender como faz sucesso: ator limitado, humorista escrachado e, vamos ser sinceros, sem graça, seus filmes quase sempre são de fracos para sofríveis (a série Madea, um fenômeno de público, que o diga). Quando foi anunciado que ele seria o protagonista deste thriller de Rob Cohen, diretor de filmes como Triplo X e Velozes e Furiosos, confesso que fiquei curioso para saber o que sairia daí. E mais ainda quando foi noticiado que um metamorfoseado Matthew Fox também estaria no filme.

E eis que  faz jus a ser mais um trabalho da filmografia quase desprezível de Tyler Perry: roteiro fraco, uma fotografia sem graça, efeitos capengas de montagem, atuações canastras e uma direção totalmente desorientada fazem de A sombra do inimigo uma das maiores bombas do Cinema recente.


O filme conta a história de Alex Cross (Perry), um agente do FBI que está envolvido, juntamente com o colega de trabalho e amigo de infância em uma caçada contra um psicopata (Fox) que parece nutrir anseios pessoais contra o agente e sua família. Disposto a proteger um executivo francês que seria a próxima vítima do maníaco, ele entra em um jogo de gato e rato com consequências trágicas para ambos os lados.

O problema maior do filme é a nítida falta de recursos para tornar o fiapo de história interessante. Jogando com o que tinha em mãos, Rob Cohen tenta transformar À sombra do inimigo em um Old Boy, sem ter um décimo do talento dos realizadores do clássico do Cinema oriental. Tudo soa muito forçado na trama de vingança do segundo arco do filme, principalmente pela fraco potencial dramático do elenco. Matthew Fox até se esforça, mas está tão caricato que chega a ser risível. Realmente o ator de Lost não está tendo sorte depois de sua saída da ilha, tendo participado apenas do mediano Ponto de Vista e do legal porém fracassado Speed Racer.

Mesmo a falta de grana não é desculpa para o desleixo com que alguns fundamentos foram tratados no filme, em especial edição e fotografia. É um filme pesado demais, mas não no sentido da história em si: os enquadramentos são mal feitos, os cortes exagerados... tudo está em excesso para parecer vanguardista. Só o expectador muito bobo para cair nesta.

Fica a lição: se aparecer Tyler Perry na ficha técnica de um filme, pense bem se vale a pena seu tempo desperdiçado. Cinema não está tão barato assim para você jogar seu dinheiro fora.

Cotação: *

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