Crítica: Frankenweenie

Quando ainda estava no início da carreira, Tim Burton produziu um curta metragem que era a síntese do que seria seu estilo cinematográfico tão peculiar, que congregava o fantástico e o gótico de maneira dosada e eficiente; o nome desta produção era Frankenweenie, e contava a história do garoto Victor (Barret Oliver, que já havia sido protagonista do sucesso A História sem fim) que, ao perder seu cachorro e melhor amigo em um acidente, consegue trazê-lo de volta à vida em um experimento científico ao estilo de Frankenstein.

Considerando as limitações tecnológicas da época, o diretor não conseguiu fazer o filme que queria, embora tenha se tornado um dos mais representativos trabalhos de sua filmografia. Quase 30 anos depois, Tim Burton retorna ao projeto novamente em parceria com a Disney e entrega Frankenweenie em versão longa metragem, mas agora como uma animação.


Quem assiste ao filme nota imediatamente que se trata de um trabalho em stop-motion do diretor. O design dos personagens é bastante reconhecível, remetendo diretamente aos já clássicos O estranho mundo de Jack e A noiva cadáver, e novamente temos a parceria com o músico Danny Elfman na trilha sonora, que sempre se destaca e é um show à parte. Burton também acerta ao escolher roda o filme em preto e branco (assim como o curta), pois é nítida a homenagem que é feita aos filmes de monstros clássicos da Universal, todos que surgiram na época em que as cores ainda não haviam chegado ao Cinema.

Quem conhece o curta irá se impressionar pela fidelidade de algumas das sequencias do novo filme, principalmente as da ressurreição de Sparky. O cuidado na reprodução dos detalhes é o diferencial aqui, e uma prova do carinho que o diretor tem por esta produção.

Mas como em seus últimos trabalhos, Tim Burton não consegue atingir a perfeição de outrora. Muitas das ideias do filme - visivelmente prejudicado pelo estica necessário para fazer a premissa do curta virar um longa metragem - soam repetitivas, inclusive se pensarmos em trabalhos anteriores do diretor (como, por exemplo, Edward Mãos de Tesoura). Os novos personagens não empolgam, principalmente o grupo de estudantes da escola de Victor. As crianças tem um visual bastante exagerado, assim como suas personalidades, ao ponto de que o protagonista (que, na teoria, deveria ser um garoto diferente) pareça o mais normal de todos eles. A melhor reinvenção do roteiro está na figura do Professor Rzykruski, que no curta tinha uma pequena participação e na animação ganha a voz (e rosto!) de Martin Landau e é de longe o personagem mais interessante do filme.

Frankenweenie não cativou as plateias mundiais, apesar da boa recepção que teve da crítica. Talvez a competição com Hotel Transilvânia e ParaNorman no mesmo ano, sendo que estas produções tinham no enredo monstros de visual mais cartunesco e colorido , não o tenha favorecido. Ou, quem sabe, seja o publico geral dizendo ao diretor que já está mais do que na hora de mudar um pouco de estilo.

Cotação: **

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