Crítica: Os Mercenários 2

Sylvester Stallone merece elogios. O ator sexagenário passou por um longo período de ostracismo na carreira, colecionando críticas negativas e ficando relegado a participações especiais em filmes de qualidade duvidosa. Mas a volta por cima começou em 2006, com Rocky Balboa, uma continuação tardia de seu personagem mais famoso, que se tornou um sucesso de crítica e reabriu as portas do sucesso para o ator, que esquecendo a vaidade, assumiu a idade avançada e deu ao garanhão italiano uma aposentadoria digna, com sequencias de luta espetaculares que mostraram que a idade poderia ter chegado, mas a vitalidade de outrora ainda estava viva.

Abraçando novamente o lado produtor/cineasta, Stallone teve uma ideia ainda mais ousada em 2010: reunir um grupo de atores veteranos do gênero de ação para uma nova franquia cinematográfica. Os Mercenários chegou fazendo certo barulho, teve bons números de bilheteria e trouxe de volta do limbo nomes como Dolph Lundgren e Jet Li, que andavam sumidos dos grandes blockbusters. Daí para uma continuação, foi um pulo. Os Mercenários 2 chega aos cinemas nas mãos de um diretor mais experiente e com um roteiro mais enxuto e eficiente. E é uma grande e feliz surpresa.


Contando com todo o elenco original - que incluía Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger - e algumas interessantes adições - Liam Hemsworth, Jean-Claude Van Damme e Chuck Norris -, o filme do mais experiente Simon West (Con Air, Lara Croft: Tomb Raider) é explosivo do início ao fim, e conta com sequencias de ação bem construídas e espetacularmente coreografadas, bem ao estilo dos filmes de heróis anabolizados dos anos 80, como era da vontade de Stallone.

Mas os outrora jovens atores já não são mais tão novinhos assim, e a grande graça de Os Mercenários 2 é brincar com a idade avançada de seus protagonistas. Algumas cenas são pura cultura pop, como a chegada de Chuck Norris, o lobo solitário, fazendo graça com uma das (muitas!) piadinhas que existem sobre sua suposta invencibilidade. Outro que nitidamente se diverte, apesar de aqui ter apenas uma participação especial, é Jet Li. No melhor estilo Enrolados, até as frigideiras viram armas mortíferas em suas mãos. Mas quem toma conta do filme é, novamente, Jason Statham. Alucinado, o astro pinta e borda e tem as sequencias mais empolgantes. Preste atenção no disfarce de padre e nas adagas voadoras: simplesmente genial.

O filme continua a história do grupo de mercenários liderados por Barney Ross (Stallone), que desta vez são enviados ao Leste Europeu para quitar uma dívida com o mau caráter Church (Bruce Willis). Acompanhados de Maggie (a chinesa Nan Yu, vista mais jovem no recente Speed Racer), eles precisarão encontrar um cofre que estava em um avião que caiu em meio a uma selva Albanesa. Lá, acabam nas mãos de um grupo terrorista liderado por Vilain (Jean-Claude Van Damme), que almeja apoderar-se de um grande arsenal soviético escondido desde a Guerra Fria, cujo segredo se esconde no mesmo cofre que está sendo procurado por Ross e companhia.

É nítida a melhoria técnica nesta nova aventura, cortesia do excelente time que Stallone, agora apenas produtor, conseguiu trazer para o longa. É claro que o sucesso do primeiro filme colocou a produção no radar das prioridades do estúdio - o que pode ser visto também na escolha da época do lançamento, em plena temporada concorridíssima do verão americano -, mas é visível também que nos últimos anos o gênero de ação deixou de ser visto apenas como coadjuvante e tem tido boas surpresas com filmes empolgantes que fugiam do lugar comum (Miami Vice, Esquadrão Classe A, Guerra é Guerra e O procurado são bons exemplos). Embora siga na essência o estilo já consagrado do gênero, Os Mercenários 2 inova ao trazer de volta os combates corporais puros (sem interferência de efeitos em CGI) e uma direção de fotografia inspirada, que favorece com planos e cortes perfeitos os elaborados e inúmeros combates.

Com uma terceira parte já anunciada, Os Mercenários 2 constrói uma bela trajetória nas bilheterias mundiais, apesar do resultado pouco menor que o de seu antecessor nos EUA. O sucesso da empreitada de Stallone é tão grande que o estúdio já cogita uma versão feminina, que saindo do papel será a alegria dos marmanjos. Lição de casa aprendida para criar uma divertida franquia para o cinema de ação.

Cotação: ***

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: Logan

Crítica: A Cabana

Crítica: A Bela e a Fera