Crítica: Rock of Ages

O musical é um gênero cinematográfico que não é uma unanimidade. Uns amam, outros detestam. Pensando nessa dicotomia, os estúdios Hollywoodianos passaram a considerar com mais frequência adaptações de sucessos da Broadway que tivessem trilhas sonoras mais conhecidas no universo pop. Deste conceito nasceram sucessos como Hairspray e Mamma Mia, duas das maiores bilheterias do gênero na história.

Rock of Ages, então, parecia ser o caminho natural para um novo musical nas telonas. Com um repertório de canções que foram grande sucesso na década de 80, como I love Rock ´n´Roll, We built this city, Don't Stop Believin' e More than worlds, entre outras, seria mais fácil criar uma identificação do filme com o público. Além disso, foram chamados para compor o elenco astros consagrados como Tom Cruise, Catherine Zeta Jones e Paul Giamatti. Mesmo com todos estes pontos favoráveis, faltou para Rock of Ages o principal: história. Se nos palcos o deslumbramento dos números musicais, cenários e efeitos cênicos compensa uma história capenga, no Cinema isso é um pouco diferente.


Analistas da Warner Brothers culparam o lançamento na concorrida época do verão americano pelo fracasso de Rock of Ages. Não é justificável, uma vez que a proposta do filme era compatível com um público mais abrangente. As fraquezas sobrepujam - em muito! - os pontos fortes do filme. E, como qualquer exemplar do gênero, faltou um número musical impactante. Mesmo com a atuação inspirada de Tom Cruise em Paradise City, isso não acontece.

Rock of Ages repete clichês demais para cair no gosto de qualquer pessoa mais exigente. A história é a mais batida possível: uma garota do interior chega a Los Angeles para realizar o sonho de se tornar uma estrela. No caminho, conhece um rapaz que persegue o mesmo sonho e os dois se apaixonam perdidamente. Os dois trabalham em um bar outrora famoso e que havia revelado grandes astros do Rock ´n´Roll, mas que agora passa por um período de decadência, e tem a chance de dar a volta por cima com o último show da banda do astro Stacee Jaxx (Tom em uma óbvia paródia de Axl Rose, líder controverso dos Guns N´Roses). Esta história principal é complementada por tramas paralelas totalmente despropositadas - que incluem o sem graça Russel Brand, que já havia provado não entender nada de música, afinal, é casado com Kate Perry - e que só prejudicam o ritmo do filme.

Catherine Zeta Jones que o diga. A belíssima atriz, que no passado contribuíra para o sucesso do vencedor do Oscar Chicago, tem em Rock of Ages um personagem tão esdrúxulo que chega a ser irritante na maioria das suas aparições (que por sorte não são muitas). A protagonista Julianne Hough tem no curriculum passagem por um reality show (Dancing with the stars) e prova que não apenas nós brasileiros sofremos com este mal que são as pseudo-celebridades que acabam se tornando astros de talento extremamente duvidoso. O que salva o elenco da desgraça total, além de Tom Cruise e Mary J. Blige (que tem os melhores solos e uma voz incontestável), é Paul Giamatti. Sempre competente, ele faz um empresário mal caráter que por vezes é tão carismático quanto os outros bem intencionados personagens.

Rock of Ages pode até te divertir com uma certa nostalgia, mas é pouco para valer um ingresso de Cinema. O melhor seria esperar por uma adaptação nos palcos brasileiros, local onde a história com certeza seria mais bem recebida. Ou, quem sabe, escutar a boa trilha sonora em casa mesmo. 

Cotação: *

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