Crítica: Madagascar 3

Quando a Dreamworks lançou o primeiro Madagascar nos cinemas, muita gente franziu o rosto. As animações passavam por um momento de investir em premissas diferentes e, por que não, histórias mais sérias e adultas. Neste quadro, a ideia de uma comédia envolvendo animais `falantes`não seria exatamente original, se olharmos para a história das animações no cinema.

O que não foi levado em consideração é que a cinessérie Madagascar é uma baita homenagem aos mestres da animação clássica de Hollywood, como Chuck Jones e Walter Lantz. Os animais de Madagascar são doidos, inconsequentes e visualmente exagerados, muito parecidos com os clássicos Looney Tunes ou o Pica-pau. E o melhor da franquia animada da Dreamworks é que chegamos ao terceiro capítulo sem perder nadinha da essência que transformou a obra em um grande sucesso.


Madagascar 3 termina exatamente onde o segundo filme parou: o leão Alex, a zebra Marty, a hipopótama Gloria e a girafa Melman estão vivendo a tão sonhada liberdade na África, tendo como companheiros os lêmures Julien, Maurice e Mort. Alex entra novamente em crise quando se lembra da sua vida em Nova York, e resolve ir atrás dos pinguins em Monte Carlo para usar a sua incrível máquina voadora para levá-los de volta á Grande Maça. Como sempre, as coisas mais inimagináveis acontecem com o grupo, que acaba refugiado em um circo europeu itinerante, perseguidos impetuosamente por uma agente de controle de animais com traços psicopáticos bastante aflorados.

O melhor do filme - ainda bem! - é manter o espírito doido que permeia a história e seus cativantes personagens. É impossível não morrer de rir com as tiradas do Rei Julien - mais uma vez brilhantemente dublado em português por Guilherme Briggs - e as estripulias dos pinguins e dos macacos pelos cassinos de Monte Carlo (sequencia que, aliás, renderia um filme solo excelente). Os novos personagens também são muitíssimo interessantes, com destaque para a vilã DuBois e o simpático leão marinho Stefano. O disfarce louco dos macacos (o Rei de Versailles, com direito aos trajes de época e tudo mais) rende algumas das melhores cenas da franquia até aqui.

O ritmo do roteiro continua alucinante e totalmente escrachado: as situações são tão inverossímeis que o riso solto vem quase que automaticamente. Isso não é um demérito para a animação, pois não é intenção dos diretores Eric Darnell e Tom McGrath que o filme seja levado a sério. Madagascar 3 é um filme para diversão, e cumpre seu papel de maneira exemplar.

As sacadas mais interessantes da terceira aventura - além da esperada mudança de cenário em que se passa a história - é a utilização esperta de tudo que deu certo nos filmes anteriores, incluindo a trilha sonora. Nos créditos finais, a divertidíssima I like to move it ganha uma nova versão, com ritmo ainda mais contagiante. E a entrada de temas russos para o personagem Vitaly ajuda tanto na composição quanto no ritmo que a aventura tem que tomar dali em diante, quando sua história é revelada.

Madagascar 3 ensaia o que talvez seja o fim da jornada dos animais nos cinemas. Será? O importante é que, caso surja uma ideia para um quarto filme, todo mundo sabe que ela não necessariamente precisa fazer muito sentido. No universo de Madagascar vale tudo, desde que a gente continue morrendo de rir na poltrona do cinema.

Cotação: ***

Comentários

  1. Olá Wilson,

    Gostei muito de sua crítica e gostaria de saber se tem interesse em publicá-la no CinePOP.

    Aguardo um contato.

    Abs,

    Renato@cinepop.com.br

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: Logan

Crítica: A Cabana

Crítica: A Bela e a Fera