Critica: Battleship - a batalha dos mares

Houve um tempo em que pensar em projetos como adaptações de brinquedos para o Cinema era uma aposta arriscada. Esse tempo passou. Seja com atrações de parques temáticos (a série Piratas do Caribe), bonecos colecionáveis (Gi Joe, que ganha sua sequencia este ano) ou robôs que mudam de forma (a trilogia Transformers), os executivos perceberam que tinham uma mina de ouro nas mãos (duas das séries citadas estão entre os mais rentáveis filmes da história).

Com o perdão do trocadilho, a Hasbro não entrou neste jogo para brincar. A empresa que é dona de um considerável panteão de brinquedos famosos está fazendo história como produtora de filmes. E o mais novo capítulo desta história de sucesso é este Battleship - a batalha dos mares.


O filme é o primeiro dos projetos inspirados em famosos jogos de tabuleiro da empresa americana a chegar aos cinemas. Peter Berg, que recentemente fez sucesso com a série de TV Friday Night Lights, recebeu a missão de fazer o jogo virar um filme de uma maneira convincente. Entre trancos e barrancos, podemos dizer que ele conseguiu.

Battleship - a batalha dos mares até parece ser um projeto pretensioso, mas esta sensação cai por terra se considerarmos que nem a conversão em 3D foi pensada. A ideia, talvez, fosse ousada demais para um investimento maciço na nova tecnologia. Embora teoricamente a Hasbro no cinema colecione sucessos - a trilogia Transformers atingiu o seleto clube do bilhão com o último filme, O lado oculto da lua - esta é apenas sua segunda incursão fora de uma franquia estabelecida, e estamos falando da adaptação de um jogo de tabuleiro. É de se esperar que houvesse um pouco de precaução por parte da Universal, que bancou o projeto.

Embora a premissa geral do filme seja batida - invasões alienígenas estão rolando aos montes nas telas -, o diretor empregou algumas ideias originais ao longa, inclusive no aspecto dos alienígenas e suas máquinas mortíferas. O problema, entretanto, fica com o desenrolar da trama: risadas involuntárias acabam sendo comuns devido à sequencia de incoerências apresentadas. A raça alienígena da vez é talvez a mais burra a dar as caras em nosso planeta, e olha que temos pesos pesados para a concorrência (os aliens de Guerra dos Mundos que eram alérgicos à poeira e os de Independence Day que não tinham um anti-vírus em sua nave mãe são os exemplos mais claros).

A trama é basicamente a seguinte: uma unidade estratégica da marinha americana está no Havaí para participar dos jogos navais que envolvem várias nações do globo. Ao mesmo tempo, cientistas da NASA estão utilizando uma moderna tecnologia de radiotransmissores para executar o primeiro contato com um planeta fora de nosso sistema solar que apresenta condições semelhantes às da terra para a existência de vida. Sem maiores explicações, depois de feito o contato, um grupo de naves extraterrestres invade nosso planeta, e caberá aos marinheiros liderados por Taylor Kitsh, Alexander Skarsgard e Rihanna (???) a missão de salvar o nosso planeta. 

As motivações dos aliens para o ataque à Terra só não são menos ridículas que a presença da cantora centro-americana no elenco do filme: o personagem da moça em nenhum momento diz a que veio, e a atuação nível Cigano Igor chega a dar saudade de ouvi-la cantar. Por outro lado, Taylor Kitsh está bem como o desajustado protagonista, e seu interesse amoroso - a gatíssima Brooklyn Decker - tem uma relevância na trama muito maior do que uma certa Megan Fox nos dois primeiros Transformers. Alexander Skarsgard tem pouco a fazer em cena assim como Liam Neeson, que parece estar na história apenas para dar à fita um ar mais respeitável.

Os efeitos visuais de Battleship - a batalha dos mares são o grande chamariz do filme. Peter Berg, neste aspecto, mostrou-se esperto por escolher a invasão alienígena ao invés de um simples ataque de uma nação inimiga, o que deu aos profissionais visuais a chance de explorar um pouco mais do aspecto técnico por trás de uma guerra naval. As melhores sequencias do filme são aquelas que remetem diretamente ao esquema do jogo de tabuleiro, o que temos que dizer é uma sacada genial.

Embora não seja um filme que revolucione, Battleship - a batalha dos mares cumpre seu papel de expandir as fronteiras do cinema para mais um campo ainda não tão explorado (as próximas adaptações de jogos de tabuleiro prometidas são o remake de Clue, cujo original oitentista é uma aventura de suspense de matar de rir; e Monopoly, mais conhecido por aqui como Banco Imobiliário, que está sob tutela de ninguém mais ninguém menos que Riddley Scott). Que sejam jogados os dados para saber se a nova mania vai pegar. Opções, qualquer um que teve infância sabe, não faltam.

Cotação: **

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