Crítica: O Lorax - Em busca da Trúfula perdida

Monteiro Lobato é um mestre na arte de contar histórias. Seus personagens imortais povoam o imaginário de crianças, jovens e adultos há décadas, e ajudam a educar os pequenos com mensagens de amor ao próximo, repulsa ao preconceito, tolerância e defesa da natureza. Conhecer sua obra atemporal é um privilégio dos brasileiros, pois sua literatura não é tão difundida no resto do mundo.

Podemos dizer que o Dr. Seuss é o Monteiro Lobato americano. Suas fábulas são obrigatórias para o povo da terra do Tio Sam, que contam suas alegres histórias cheias de mensagens de amor e fraternidade para seus filhos por muitas e muitas gerações. No restante do mundo, porém, seus livros são pouquíssimo conhecidos. Mas Seuss teve a sorte de ter nascido no país do Cinema, indústria que abraçou sua obra com o sucesso de O Grinch, e desde então tem apresentado ao mundo nesta mídia personagens como o já citado Grinch, o elefante Horton, o Gatola de Cartola, e agora uma estranha criaturinha cor de abóbora neste O Lorax - em busca da Trúfula perdida.


A beleza das cores desta nova animação do estúdio revelação Illumination - que antes entregou o sucesso Meu malvado favorito - é de impressionar. Quem conhece minimamente as obras de Dr. Seuss sabe que uma de suas características era o exagero dos mundos criados por ele. Basta lembrar da vila dos Quem em O Grinch ou da floresta cheia de animais exóticos de Horton e o mundo dos Quem. Seus personagens são expressivos e visualmente impressionantes, o que facilita o desenvolvimento nos filmes, principalmente em se tratando de uma animação, como é o caso.

O Lorax - em busca da Trúfula perdida segue o estilo de Dr. Seuss contando a história de Ted, um rapaz que vive numa cidade toda feita de plástico, em que seus alegres habitantes convivem em harmonia, mas precisam comprar suprimentos de ar de um ganancioso comerciante local para conseguirem sobreviver. Ted nutre uma paixão pela garota Audrey, cujo maior sonho é poder um dia ver uma árvore de verdade. Incentivado pela avó, Ted resolve procurar o único homem que ainda saberia o paradeiro das árvores, o ancião Umavez-ildo. Ao encontrá-lo, ele acaba conhecendo a verdadeira história por trás do sumiço das árvores e a lenda do Lorax, uma criatura mágica que é a voz da floresta. Ted resolve então levar a última semente de Trúfula (como são chamadas as árvores com folhas fofas nos livros de Dr. Seuss) para Sneedville, disposto não apenas a impressionar Audrey como também fazer toda a sua cidade lembrar-se da importância da natureza em suas vidas.

As mensagens ecológicas são passadas pelo filme de uma maneira leve e emotiva, com personagens secundários adoráveis, como os Barbalutes (bichinhos que parecem pequenos ursos), os Peixes Cantores e os Cisnes Cismados. A escolha da narrativa também foi acertada: o conto O Lorax tem pouco mais de vinte páginas, e os roteirista Ken Daurio (que também trabalhou em Horton e o mundo dos Quem para o Blue Sky Studios e em Meu malvado favorito com a Illumination) consegue transpor a história para pouco mais de 80 minutos de maneira coesa, com a devida fidelidade ao rico material original. A prosa de Seuss também está presente no roteiro, que homenageia o escritor de forma tão contundente quanto o que foi feito em O Grinch.

Mas a beleza das cores e da animação não são os únicos ingredientes de sucesso em O Lorax. A trilha sonora do filme, que se estrutura quase como a de um musical - bom saber que depois de Enrolados os estúdios perceberam que os grandes épicos musicais animados não estão nem um pouco fora de moda - é um espetáculo à parte, graças ao talento de John Powell, que havia impressionado em Happy Feet, e aqui faz um trabalho ainda mais rico e melhor.

O Lorax - em busca da Trúfula perdida merece ser visto pelas famílias no Cinema. Não é sempre que podemos acompanhar uma fábula feita de maneira tão carinhosa para entreter todos os públicos. O sucesso de público e crítica é mais que justificável. Prenúncio de que 2012 promete realmente ser um ano inesquecível para quem gosta de filmes de animação.

Cotação: ***

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