Crítica: Espelho, Espelho Meu

A mais nova mania em Hollywood é a adaptação em live-action de histórias de contos de fada. Quem deu o pontapé inicial foi Tim Burton, como sua visão dark e visualmente exagerada de Alice no País das Maravilhas. 2012, no entanto, é o ano da Branca de Neve. Na TV, a série Once Upon a Time vem fazendo sucesso contando a história da Princesa, do Príncipe e da Bruxa malvada nos dias de hoje, em uma cidade de interior tomada por seres de fantasia. No cinema, Kristen Stewart deixará os vampiros brilhantes de Crepúsculo para encarar uma versão guerreira da princesa em Branca de neve e o caçador. E, saindo na frente para vencer a batalha nas bilheterias, chega a comédia Espelho Espelho Meu.


O filme do indiano Tarsem Singh (diretor do péssimo A Cela e que este ano já entregou a bomba Imortais) é o menos pretensioso dos projetos que adaptam de forma um pouco diferente a história clássica dos Irmãos Grimm. Aqui, vale abrir um parênteses: apesar de ser a versão mais conhecida, o filme da Disney pouco se parece com o conto original, muito mais sombrio. Mas a intenção neste projeto era literalmente a diversão, e o foco no público infantil é claro. Para os marmanjos, a presença de Julia Roberts faz a compensação necessária.

Aliás, a grande sacada do filme foi escolher a atriz para o papel da Rainha má. Em sua primeira vilã na carreira, Julia mostra que foi um pecado ter ficado tanto tempo sem mostrar esta faceta na telona. Sua atuação deixa transparecer com muita clareza que ela se divertiu demais nas filmagens, e esse ponto conta muito a favor do resultado final do filme. Além disso, a dinâmica com o comediante Nathan Lane (que vive Brighton, seu assistente e puxa saco oficial) é excelente.

Para a escolha dos mocinhos, o diretor também se mostrou feliz. Branca de Neve é interpretada pela novata Lily Collins (filha do cantor Phill Collins), que tem uma beleza simples que cai como uma luva para a sofrida Princesa. No papel do Príncipe - que nesta versão é um bobalhão facilmente manipulado por qualquer pessoa -, Armie Hammer tem um desempenho muito bom e é o grande destaque cômico (as sequencias em que ele se encontra enfeitiçado e pensa que é um cachorro são as mais engraçadas do filme).

As mudanças na história original são significativas, mas é nos anões que está a maior diferença. Os sete seres da floresta não são pacatos mineradores, mas sim um grupo de bandidos que rouba dos nobres para sua própria sobrevivência, após serem expulsos do reino onde eram tratados com indiferença e preconceito. Obviamente, a necessária lição de moral para os pequenos acontece neste arco.

Não fossem alguns deslizes no narrativa - piadas fracas e um número musical tipicamente Bollywoodiano nos créditos finais (de extremo mau gosto, por sinal), Espelho Espelho Meu seria um ótimo filme para a família. É uma boa diversão, o que considerando os péssimos trailers lançados antes da estréia já é uma grande diferença. Mas ir ao Cinema para ver Julia Roberts sempre é bom, certo?

Cotação: **

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