Crítica: Operação Presente

O estúdio inglês Aardman era uma grande promessa para os longa metragens de animação. E a culpa foi de uma inteligente história chamada A fuga das galinhas, uma paródia pra lá de bem humorada de filmes como Fugindo do inferno. Além deste sucesso, as histórias de Wallace & Gromit também eram prata da casa, e colecionavam estatuetas na categoria de curta metragem de animação no Oscar. Apesar de contar com o selo da Dreamworks - após um acordo de distribuição com o estúdio de Spielberg e Jeffrey Katzemberg - os filmes seguintes da produtora não decolaram, até o fracasso de público Por água abaixo enterrar de vez a parceria e as pretensões ambiciosas em terras gringas. Ainda bem que eles não desistiram.

Operação presente é a mais nova empreitada do estúdio, e aposta suas fichas em um estilo cinematográfico que coleciona sucessos e também fracassos retumbantes: os filmes com temas natalinos.


A força motriz de Operação presente é brincar com um imaginário que algum dia inundou nossas cabeças: como Papai Noel consegue entregar presentes para tantas crianças em apenas uma noite, em todo o mundo? Apesar de utilizar uma boa sacada - com cenas que remetem diretamente a filmes de ação como Missão Impossível - a ideia já havia sido desenvolvida no recente Hop - rebelde sem Páscoa. Apenas a temática era diferente.

O filme conta a história de Arthur, o filho mais novo do Papai Noel, que pelo jeitão desengonçado nunca foi levado a sério pelo irmão mais velho e pelos elfos da Lapônia que ajudam a fazer a magia do natal. Quando o sistema moderno e eficiente do irmão tem uma falha e uma criança ficará sem seu presente, Arthur corre, com a ajuda de Vovô Noel e de um elfo obcecado em embalar coisas, para entregar o presente a qualquer custo no antigo trenó de Renas. É claro que o trio se mete nas mais inusitadas confusões até cumprir sua missão.

Embora o tema natalino seja um pouco batido para produções voltadas para a família, a Aardman se safa da armadilha com o esperto roteiro do filme e seu ritmo frenético e contagiante. Você saca logo de cara que está assistindo um trabalho da produtora, já que o estilo dos personagens é por demais característico. Talvez um ponto fraco do filme seja não contar com uma trilha sonora empolgante, o que para uma animação, hoje em dia, é uma falha que não pode ser cometida.

Se Operação presente tem um defeito, podemos dizer que é no seu estilo de animação, em que o estúdio optou pela computação gráfica ou invés da clássica animação quadro a quadro com massinha de modelar. Ao menos não cometeu o mesmo erro que com Por água abaixo, em que os personagens pareciam de massinha mas na verdade eram criaturas digitais (o que acabou ficando estranho na tela grande).

A Aardman acertou quase 100% com Operação Presente: só falta retornar aos bons tempos de A fuga das galinhas e Wallace & Gromit. Nem sempre evoluir na tecnologia significa evoluir na qualidade. Quem sabe o retorno de Tim Burton em 2012 a este estilo clássico de animação com Frankenweenie faça o pessoal do estúdio mudar de ideia e voltar a fazer o que sabe melhor: animação artesanal. Torcida, ao menos minha, não vai faltar.

Cotação: ***

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