Crítica: Margin Call - o dia antes do fim

A crise de 2008 mudou a cara dos mercados mundiais, e seus efeitos ainda estão assombrando muita gente por aí - a crise Européia que o diga. Obviamente que o Cinema não ficaria de fora na hora de tratar de um tema tão relevante, e que gera tantas discussões.

O vencedor do Oscar de melhor documentário, Trabalho interno, mostrou os efeitos da crise sem entrar em maiores detalhes de heróis e vilões, e focando mais diretamente nas consequências que a bagunça dos mercados causou em pequenas economias, como a da Islândia, por exemplo. Margin Call - o dia antes do fim não faz mea culpa e conta uma história baseada em fatos reais sobre os primeiros homens a vivenciarem o início da crise - e as ações tomadas por eles que desencadearam o terror nas bolsas de valores através do globo.


Obviamente que a ótica dos filmes é diferente, uma vez que um deles é um documentário e o outro uma obra de ficção. Margin Call - o dia antes do fim ganha pontos por não ter medo de escancarar a realidade dos fatos e expor algumas mazelas do sistema capitalista e como a vida de muitos pode estar tão diretamente ligada às decisões de poucos.

O diretor J.C. Chandor, podemos dizer, é um estreante de sorte. Além de seu primeiro trabalho em um longa metragem ser de uma consistência narrativo pouco vista nos thrillers recentes, conseguiu trazer para seu filme um elenco estrelado que está especialmente inspirado em cena. Que o digam Kevin Spacey, Paul Bettany, Simon Baker (o protagonista da excelente série The Mentalist) e Jeremy Irons, soberbos em seus personagens, além de Zachary Quinto e Stanley Tucci, que mesmo tendo apenas uma ponta, faz sua presença ser sentida. A única que parece deslocada é Demi Moore, burocrática acima do que o seu personagem exigiria. Não é de se estranhar que o elenco do filme já tenha recebido elogios rasgados de diversas associações de críticos nos EUA.

Mas o acerto de Chandor não está apenas na direção dos atores: Margin Call - o dia antes do fim usa e abusa dos recursos de montagem para criar a sensação constante de nervosismo, aliado ao uso competente da trilha sonora. O diretor de fotografia Frank G. DeMarco, que já havia impressionado recentemente com seu trabalho em Os agentes do destino, utiliza enquadramentos simples e jogos rápidos de câmera, que fazem a platéia roer os dedos junto aos protagonistas.

Outro ponto positivo do filme é não perder tempo com didática: não se utiliza grafismos ou quaisquer outros recursos narrativos nas passagens onde os personagens discorrem sobre as complicadas equações e a estatística pesada por trás dos números que sustentam o mercado financeiro. As informações são jogadas, e você perde tempo tentando entender se você quiser, ou se realmente tem algum conhecimento do assunto. Estamos no Cinema, e não em uma sala de aula de finanças corporativas ou mercados derivativos.

Margin Call - o dia antes do fim é o filme que abre a temporada das barbadas nas premiações que estão vindo por aí (o Globo de Ouro e o SAG, sindicato dos atores, já divulgaram seus candidatos a melhores de 2011). Por hora, chega de blockbusters: é a hora de se concentrar em assunto sério. Este é o típico filme para aquelas pessoas que odeiam o capitalismo - mas que sabem que não podemos viver sem ele.

Cotação: ***

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