Crítica: Gato de Botas

Na televisão, os spin-offs (programas derivados de outro pré-existente) são uma realidade já faz algum tempo, mas a modinha ainda não havia sido transposta para o cinema. Você pode até dizer que os filmes Elektra e X-men origens: Wolverine poderiam se enquadrar neste exemplo, mas tratam-se de personagens que possuem aventuras próprias nos quadrinhos, então era de se esperar que também tivessem filmes próprios caso a indústria considerasse um investimento interessante.

E eis que o estúdio responsável pela solidificação das franquias animadas resolve entrar pelo caminho do spin-off e lança o filme do Gato de Botas, o felino com sotaque latino que roubou a cena em Shrek 2.


Considerando a decadência dos últimos filmes do Ogro, Gato de Botas foi realmente o rumo correto a se tomar. O personagem era o único que ainda mostrava fôlego em Shrek terceiro e Shrek para sempre. O grande desafio seria criar uma história que pudesse ser desenvolvida em pelo menos 90 minutos. Para isso, os produtores preferiram seguir pela máxima do "filme de origem" e mostrar como o gato surgiu, desvinculando-o totalmente de Shrek, e espertamente, abrindo espaço para uma outra franquia, com personagens novos também saídos dos contos de fadas.

Em Gato de Botas, somos levados até a infância do felino, para conhecer de onde surgiu sua fama de fora da lei e quem o havia presenteado com as famosas botas de couro. Seu melhor amigo era o Humpty Dumpty (escolha perfeita para os trocadilhos e piadas de duplo sentido típicos da franquia Shrek), um estranho ovo falante que tinha uma obsessão: encontrar os feijões mágicos da lenda de João e Maria para chegar até o castelo do gigante nas nuvens e se apoderar da sua gansa dos ovos de ouro. Os dois fazem um pacto para encontrar as relíquias, mas traições de ambos os lados acabam separando os amigos, que se reencontram anos depois quando o gato está a procura de uma forma de resgatar sua reputação e fazer as pazes com seu passado.

A história se desenvolve de forma leve, e ganha seus melhores momentos quando o gato exerce seu talento nato de conquistador na companhia da gata Kitty Pata Mansa (Salma Hayek). As passagens que mostram os dois interagindo com outros felinos coadjuvantes - um deles, por sinal, vai te fazer morrer de rir - são geniais. Antonio Bandeiras mostra todo o seu carisma e a veia cômica afiada dando vida ao personagem, por sinal um dos melhores da sua carreira em Hollywood.

Apesar dos pontos positivos, Gato de Botas decepciona por ser uma aventura infantil demais. Obviamente existem as piadas mais ousadas direcionadas aos adultos, mas o charme maior do felino era sua natureza politicamente incorreta - algo que se perdeu de Shrek 2 até aqui.

Se a Dreamworks terá mais uma franquia nas mãos, só o tempo (e a grana das bilheterias!) irá provar. Por ora, basta dizer que Gato de Botas cumpriu seu papel e fecha um ano extraordinário para o cinema de animação. Que venha 2012, com Tintim, Madagascar 3, A era do gelo 4, Valente e tantos outros. Não vão faltar risadas nos cinemas.

Cotação: **

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