Crítica: Os Três Mosqueteiros

Parece que de propósito não querem deixar Alexandre Dumas descansar em paz. Pode-se dizer que Hollywood tem boa parte de culpa no cartório, afinal de contas, a quantidade de adaptações capengas das obras clássicas do escritor que já foram produzidas pelos estúdios americanos não é pouca. Para piorar, os "inteligentes" executivos da Summit Enterteinment - que já cometeram coisas como Crepúsculo - resolveram atiçar ainda mais a modinha de atualizar os contos clássicos com toques mais modernosos (já fizeram um semi-estrago recentemente com A menina da capa vermelha) para transformar um filme de capa e espada em uma espécie de Matrix medieval. E assim surgiu esta nova versão de Os três mosqueteiros.


As notícias do filme já não eram animadoras desde o início de sua produção. Para a cadeira de diretor, foi escalado Paul W.S. Anderson, que tem em sua carreira em maioria filmes de orçamento minguado baseados em jogos de videogames (são dele a série Resident Evil e o primeiro Mortal Kombat). Pouco talentoso, Anderson nitidamente não conseguiu contribuir para uma visão interessante da história dos mosqueteiros, não mais do que apenas transformar Milady em uma espécie de ninja-assassina (na pele da habitue do diretor, Milla Jovovich) e Buckingham em um império de máquinas voadoras, cujo vilão é interpretado pelo sempre inexpressivo Orlando Bloom, que teria feito um enorme favor ao cinema se tivesse ficado perdido em algum local da Terra-média...

Apesar de manter o espírito básico da narrativa do romance de Alexandre Dumas, as liberdades criativas em demasia enterram até a possibilidade mais remota do filme funcionar, mesmo com seus bem realizados efeitos visuais. Por mais incrível que pareça, a aventura é tão fraca que até mesmo o desenvolvimento da história, nos pontos semelhantes ao livro, soa bobo e previsível.

O roteiro tem participação de Alex Litvak, considerado uma promessa em Hollywood, e que também assinou a versão recente da franquia Predador. Se o nível das promessas com relação a novos roteiristas seguir este caminho, não teremos um futuro nada promissor para os blockbusters: Litvak consegue transformar personagens interessantes como o Cardeal Richelieu em figuras sem sal, mesmo contando com o talento de Christopher Waltz (o Coronel Hans Landa de Bastardos Inglórios, completamente perdido no papel).

Deslocados também estão os ditos protagonistas: Matthew Macfadyen tenta passar alguma credibilidade como Athos, mas esbarra nos diálogos pobres de seu personagem, e Ray Stevenson e Luke Evans tem muito pouco a fazer como Porthos e Aramis. Parte-se da premissa de que o público conhece os personagens para sequer apresentá-los com o devido respeito que uma obra desta magnitude e importância que tem na história da literatura mundial merece. Para finalizar, D'Artagnan precisou vir nos moldes para agradar ao público Justin Bieber-Restart, e é interpretado por um chatinho Logan Lerman, que não bastasse ter enterrado a pretensa série cinematográfica de Percy Jackson e os Olimpianos, completa o elenco de mais uma tentativa fracassada de franquia (o filme está mal das pernas e tenta conseguir se pagar com a bilheteria mundial, após o fracasso retumbante nos EUA).

Os três mosqueteiros vem para mostrar que nem toda atualização é bem vinda em textos clássicos. Por hora, resta esperar que alguém competente e com real respeito à obra de Alexandre Dumas resolva traduzir seu texto em uma produção de verdade: épica, bem estruturada e fiel ao seu enredo e aos personagens imortais. Neste caso, o um por todos e todos por um será muito mais agradável de se ver.

Cotação: *

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