Crítica: A casa dos sonhos

O Cinema é, antes de tudo, um negócio. E como em qualquer negócio, cedo ou tarde é necessário gerar lucro para distribuir aos investidores e, obviamente, investir em coisas novas. Jim Sheridan é mais um dos diretores autorais que está entrando no jogo dos filmes comerciais para depois continuar a nos emocionar com seus dramas fabulosos.

O irlandês, conhecido por grandes sucessos de crítica como Meu pé esquerdo, Em nome do pai e Terra de sonhos, ganhou da Warner a chance de dirigir um filme de suspense, algo semelhante ao que aconteceu ao nosso Walter Salles, com Água Negra. Mas diferente de Salles, Sheridan imprimiu ao seu filme um toque peculiar de seu talento, fazendo de A casa dos sonhos um bom filme de suspense.


O filme não repete alguns clichês do cinema de suspense e horror recente, mas ainda assim está longe de acrescentar algo novo ao gênero. Quem conhece bem o estilo, vai notar semelhanças logo de cara com Os outros e o último filme de Scorcese, Ilha do medo. Na verdade, sua maior força é da parte técnica - influência direta do talentoso diretor: a fotografia está de babar e o filme tem bons efeitos de montagem que favorecem o desenvolvimento da temática.

Daniel Craig protagoniza no papel de Will Atenton, um bem-sucedido editor de Nova York que resolve mudar de vida e partir da cidade grande com a família para uma cidade no interior dos EUA. Lá, ele tem a chance de construir sua casa dos sonhos em uma propriedade que esconde um passado trágico. À medida que lhe são revelados os mistérios por trás do ocorrido ali, as sombras de um passado que ele tentava esquecer voltam a atormentá-lo, e vão alterar por completo o rumo de sua vida.

Não espere grandes atuações do elenco, principalmente do 007 Daniel Craig. O ator permanece com seu semblante rígido, e pouco se esforça para sair do estigma recente de brucutu. Nos papéis femininos, Rachel Weiz e Naomi Watts tem pouco a mostrar. O roteiro do filme é correto, mas nitidamente está mais focado nas reviravoltas do que exatamente em abrir terreno para que seus atores tenham chance de brilhar - por sinal, um erro comum no gênero. Vale uma aula com Juan Antonio Bayona, que fez do filme espanhol O orfanato um bom exemplo de como se pode focar nas atuações para se fazer um suspense extraordinário.

A casa dos sonhos é um bom filme para marcar esta período entre os blockbusters de verão e os filmes do Oscar 2011. Novembro normalmente é um mês morno para o cinema, e outra vez 2011 nos surpreende: boas opções não faltam nas telas. Assim, fica fácil manter o lema e dizer que cinema é a maior diversão.

Cotação: **

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