Crítica: Um zelador animal

Filmes que tem títulos traduzidos com trocadilhos em nosso país geralmente podem ser classificados em dois tipos: 1) Que possuem título original de difícil tradução para nosso idioma; ou 2) Filmes de qualidade duvidosa que precisam ser vendidos com um "algo mais" para tentar atrair a audiência. Pois é. Este novo trabalho do comediante Kevin James sem sombra de dúvida fica classificado como número dois (mensagem subliminar clara, se é que você me entende).

Um zelador animal é o tipo de filme feito para a família que deixa as crianças com aquele sorriso chocho no rosto e os adultos morrendo de raiva.


Antes de me perguntarem por que diabos fui assistir este filme, já respondo que infelizmente era a opção disponível de entretenimento de bordo em um recente voo internacional. Mas se serve de consolo, caso eu tivesse ido ao cinema, provavelmente teria saído antes dessa bobagem terminar, o que geralmente acontece muito pouco. Do avião, não dava para descer, e quis acreditar que melhoraria nem que fosse um pouquinho até o final...

A história do filme é tão boba quanto o título em Português: Griffin Keyes (James) é o típico boboca gente boa, que está prestes a pedir a mão da namorada em casamento. Rejeitado, ele muda sua rotina ao se tornar o melhor funcionário que o zoológico de sua cidade já teve, ao menos na opinião dos animais. Quando ele reencontra seu amor e resolve sair do emprego, os bichos vão precisar intervir na situação.

Era pra ser engraçada a dinâmica entre os animais falantes e o comediante, no entanto o roteiro não se decide em momento algum sobre que caminho irá seguir. Se em Uma noite no museu Ben Stiller era o claro protagonista frente aos "objetos que ganhavam vida", muito em parte pelo seu grande carisma, não é o mesmo que vemos aqui. Kevin James parece deslocado, pois seu estilo de humor é mais adulto, e muito específico para o gosto americano. Tanto é verdade que poucos filmes do ator chegam aos cinemas por aqui.

Extremamente clichê, o filme também peca pelos efeitos visuais capengas. Os animais falantes não são tão críveis quanto deveriam, e os efeitos de fala não convencem (para nível de comparação, o segundo Como cães e gatos estava fraco neste sentido, mas ainda assim dá de 10 a zero neste aqui). Como é comum em produtos mais destinados para as crianças, os diálogos são fracos em demasia. Será que o povo ainda não entendeu que crianças também tem senso crítico e hoje em dia são muito mais espertas que muito adulto por aí?

Uma pena que 2011 tenha sido um ano tão decepcionante para os filmes família com roteiros pretensamente originais. Não fossem as adaptações literárias, todo o resto seria descartável. É Hollywood mostrando que, apesar de melhorar em alguns gêneros, continua claramente incompetente em outros.

Cotação: *

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