Crítica: Footloose

Os saudosistas de plantão que me desculpem, mas às vezes eu tenho medo de cultivar certas nostalgias. No que diz respeito ao cinema, pelo menos, esse medo está se tornando cada vez maior. O culpado da vez é este remake troncho que resolveram fazer para o clássico da década de oitenta e filme favorito de um entre cinco dos saudosos que estão desfilando por aí: Footloose.


Devo admitir que fui assistir ao filme com expectativa demais, algo que não se justifica se a pessoa tiver um mínimo conhecimento de cinema e dê uma lida rápida na ficha técnica. Diretor? Bem, um tal de Craig Brewer, cujo filme mais expressivo do curriculum é Ritmo de um sonho, que deveria ter sido veículo para o estrelato de Terrence Howard, mas acabou caindo no esquecimento assim como o ator.

Por falar em ator, os atores! O protagonista, veja você, já foi bailarino de Justin Timberlake (urgh!), e foi qualificado apenas por que sabia dançar, devo dizer. Comparar sua performance com o que um dia fez Kevin Bacon é ser no mínimo ridículo. A mocinha? Julianne Hough, que tem belíssimos olhos azuis, mas que para atuar é uma excelente modelo. Ah, sim, tem Dennis Quaid e Andie MacDowel. O primeiro tem mais mise en scène que uma tábua de passar, e a segunda merece o título de Vera Fisher de Hollywood, tal qual a quantidade de botóx que mal a deixa falar...

A história é de conhecimento de todo mundo: um jovem rebelde chega a uma cidade de interior que sofre pela restrição a qualquer tipo de festa ou dança, motivada por um acidente fatal envolvendo um grupo de jovens, alguns anos antes. Ele forma uma turma de amigos que resolve lutar contra as leis, que são defendidas pelo reverendo local, que é pai da garota por quem ele acaba perdidamente apaixonado. Na mistura, as músicas que embalaram toda uma geração, como os hits "footloose" e "Lets hear it for the boy". Só a trilha sonora se salva: o restante é um punhado de pieguice de extremo mal gosto, que em nada lembra o filme original.

Não adianta ninguém vir me dizer que um filme que é um "produto para jovens" precisa ser fraco. Opa, espera aí! Quer dizer que todo jovem tem mal gosto? (Ok, ok, Justin Bieber, eu sei...). Fica a minha indignação e um alerta: se é para trazer de volta ícones de geração para fazer besteira, é melhor deixar os filmes lá, onde estão, na fila para a sessão da tarde. Ao menos é algo mais digno.

Cotação: *

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: A Cabana

Crítica: Logan

Crítica: A Bela e a Fera