Crítica: Conan, o bárbaro

O cinema Hollywoodiano está redescobrindo os filmes de ação com galãs anabolizados e pancadaria. Primeiro, foi o filme de Silvester Stallone, Os mercenários, que apresentou um elenco que reunia praticamente todos os atores que já passaram algum dia pelo gênero (a continuação já está sendo produzida, inclusive). Com a mania dos filmes de quadrinhos, era uma questão de tempo até os executivos dos estúdios se lembrarem de um certo bárbaro Cimério que no passado fez a fama de Arnold Schwarzenegger.

O ex-fisiculturista já deixou de lado a sua aventura pelo mundo da política, e está retornando para o cinema. Mas o projeto de se realizar uma continuação dos filmes oitentistas com o herói mais envelhecido - que ficou conhecido durante muito tempo como King Conan - acabou sendo deixado de lado, e optou-se pela escalação de um novo ator para um reboot do personagem nos cinemas, algo que está mais do que na moda. Assim, surgiu Conan, o bárbaro.


O filme não foi criado com a ideia de ser uma refilmagem, mas bebe diretamente da fonte do original, apresentando uma trama mais adulta e repleta de violência. No entanto, 2011 provou ser um ano de surpresas no que diz respeito ao resultado das bilheterias, e com todos os prós a favor deste filme, sua recepção foi morna nos cinemas americanos, mesmo contando com exibições em salas com a tecnologia 3D. A concorrência acirrada de grandes sucessos de público pode ter sido um fator que pesou contra, mas é fato que, mesmo com um visual interessante, o trabalho do estúdio Lionsgate deixou um pouco a desejar no sentido de agradar a uma audiência mais diversificada.

O diretor Marcus Nispel não tem muita experiência com longas metragens, mas conseguiu transpor o universo do bárbaro de maneira positiva, embora o prólogo seja um pouco confuso para os não iniciados. O roteiro é nitidamente o maior problema do filme: as coisas acontecem rápido demais e falta dinamismo nos cortes. O que mais compensa é a boa direção de fotografia e a coreografia das cenas de batalha, que estão excelentes; não se economiza no sangue voando na tela, e para isto o uso do 3D acaba sendo eficiente.

Jason Momoa - que também pode ser visto no hit da TV Game fo Thrones - assumiu o papel de Conan com dignidade, o que por si só já era um grande peso, pois até hoje a figura do bárbaro é ainda ligada pelo fãs ao ex-governador da Califórnia. O restante do elenco, no entanto, não ajuda nem um pouco, e pode-se atribuir o fracasso das atuações à inexperiência do diretor, além dos figurinos equivocados: alguns personagens parecem ter saído direto de carros alegóricos de escolas de samba. Salva-se apenas Ron Perlman, que tentou transmitir um pouco de dignidade ao seu personagem, o Rei Cimério e pai de Conan, que no entanto se despede do público já no início da aventura.

Trocando em miúdos, trata-se de um filme que entrega exatamente o que foi proposto: muita pancadaria, sangue, nudez e um visual extravagante. Conan, o bárbaro é para quem gosta de sangue e suor, porque lágrimas é coisa de mulherzinha.

Cotação: **

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