Crítica: Minha versão para o amor

Paul Giamatti é um ator com uma competência ímpar, daqueles que você pode acompanhar nos mais impensáveis projetos e sempre pode tirar alguma coisa boa de sua atuação. É, se compararmos, do time que inclui outros gênios como Phillip Seymour Hoffman ou Forest Whitaker, caras que nem de longe carregam o estigma de galãs mas que fazem bonito no quesito talento.

Indo neste caminho, Minha versão para o amor é uma grande decepção, principalmente para aqueles que esperavam um novo Sideways, entre umas e outras. Diferente do drama enólogo, o filme de Richard J. Lewis não consegue decolar, mesmo contando com um elenco que faz qualquer cinéfilo ficar animado.


Não se pode colocar a culpa apenas na direção, apesar do curriculum de Richard J. Lewis não ser nada memorável. A realidade é que o texto não ajuda, uma vez que não é coeso e com frequência se perde nos muitos saltos temporais que a história realiza. Este ponto fraco fica mais evidente quando, a certo momento, estamos começando a nos acostumar com o ritmo do filme e há uma brusca virada de jogo que altera completamente o rumo da trama, de uma hora para outra. Fica complicado de acompanhar, e de se identificar com os personagens, mesmo os que são brilhantemente defendidos por medalhões como Dustin Hoffman e musas absolutas como Minnie Driver. As histórias românticas do protagonista - que deveriam, conforme a proposta principal, atrair o público - acabam ficando para escanteio.

Apesar dos erros óbvios, é nítido que se trata de um filme que tinha grandes pretensões. Ignorado no Globo de Ouro (que possui uma categoria de filmes de comédia totalmente desnecessária na grande maioria das vezes), ficou difícil acreditar que Minha versão para o amor pudesse ser tão fraco a ponto de ser sobreposto por obras esquecíveis como Burlesque ou Alice no país das maravilhas. Restou para a produção contentar-se com a merecida indicação de Paul Giamatti e uma menção nada honrosa à maquiagem no Oscar - mesmo neste fundamento o filme não impressiona, e deve ter sido lembrado apenas pela falta de outras melhores opções.

Obviamente, faltou personalidade ao diretor para ousar mais com a trama que poderia beber um pouco mais na fonte da cultura judaica, assim como os Irmãos Coen fizeram de forma brilhante com Um homem sério. O que se vê na tela são tentativas fracassadas de explorar situações tragicômicas, que se desenvolvem de maneira desequilibrada. É como se estivesse faltando uma peça fundamental na estrutura, e você soubesse que tudo está a ponto de desabar. Nem precisa dizer que a experiência acaba sendo cansativa, e lá pelas tantas, ainda nem começado o terceiro ato, o sono começa a surgir.

Minha versão para o amor salva-se quase que pelo gongo final de um juiz no ringue de boxe antes do merecido nocaute. E tudo graças ao carisma e talento do protagonista. Não é fácil segurar um filme nas costas, e nessa tarefa, até o melhor de todos, às vezes, pode falhar. E foi o que quase aconteceu desta vez.

Cotação: **

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