Critica: Thor

A Marvel tem ambições interessantes para seus personagens no cinema. Podemos dizer que este caminho começou com Homem de Ferro, uma aposta arriscada no milionário mercado de adaptações de quadrinhos para o cinema, pois se tratava de um herói pouco conhecido do grande público. Este medo, parece, acabou. E a chegada de Thor sedimenta aquilo que os fãs de quadrinhos do mundo todo mais queriam que acontecesse: a consolidação de um universo de heróis nas telas dos cinemas.


Mas todo grande sonho deve ser acompanhado de escolhas certas na mesma proporção. E não podemos dizer que a Marvel não está fazendo o dever de casa direitinho; mesclando diretores visionários com astros em ascensão e até mesmo figuras já emblemáticas no mercado cinematográfico, o estúdio conseguiu se firmar como uma máquina de fazer bons filmes. E isto se deve unicamente a dois fatores: boas histórias para contar e muito respeito ao público que está na poltrona, seja ele de fãs ardorosos, ou mesmo o público geral.

Thor era mais uma aposta arriscada, pois o personagem é oriundo do universo mágico da Marvel, muito diferente do que estamos acostumados até o momento no cinema, se considerarmos Homem de Ferro e Hulk. Para comandar esta empreitada, uma escolha inusitada e amplamente feliz: Kenneth Branagh. O respeitado diretor tinha a missão de conseguir congregar de forma saudável o reino místico de Asgard com o nosso mundo, tecnológico e científico nas versões mais recentes dos personagens da editora no cinema. Mais do que isso: era necessário apresentar Thor ao grande público e preparar o personagem para o vôo mais alto a ser dado pela Marvel: o filme dos Vingadores. E pode acreditar: ele conseguiu.

Não que seja tudo perfeito. Os melhores momentos de Thor são aqueles mostrados no reino de Asgard. Cenários, figurinos, composição dos personagens: tudo está perfeito, e tão fiel aos quadrinhos que vai ter muito fã chorando de emoção. Kenneth Branagh exercitou sua alma Shakespeariana compondo um universo épico para a saga do herói que é um deslumbre para os olhos, e as cenas de ação com Thor brandindo o Mjolnir contra os gigantes de gelo são espetaculares. Mas na terra, o filme deixa um pouco a desejar, com soluções pouco inspiradas para a intervenção da S.H.I.E.L.D. (que é essencial para o desenvolvimento da trama dos Vingadores) e personagens sem propósito e pouco desenvolvidos. As falhas de roteiro se tornam um pouco evidentes aqui, como se o mais importante fosse mostrar todo o poder do Deus do Trovão quando está em sua terra natal.

Outrora estes problemas pudessem macular a imagem de um filme, com Thor isto não acontece. E talvez o filme se aproveite exatamente do motivo principal de sua existência: ser parte de algo maior. Os fãs do personagem ficarão satisfeitos com o que está sendo mostrado (e com a quantidade de easter-eggs, que vão desde menções ao Homem de Ferro e ao Hulk, até uma breve aparição do Gavião Arqueiro), e o público geral vai acompanhar a história sem notar estas pequenas falhas.

Muita gente torceu o nariz para John Favreau quando foi dito que o Homem de Ferro não enfrentaria nas telas seu mais tradicional vilão, o Mandarim. Não vou entrar neste mérito, pois sou favorável a escolha do diretor depois de ver o resultado dos dois filmes no cinema. Mas é bom ver em Thor que um vilão clássico foi muito bem apresentado: Loki, o deus da travessura, é um nêmesis de peso, escorregadio e traiçoeiro como todo bom vilão deve ser. E a atuação de Tom Hiddleston ajuda muito, confere dimensões humanas aos anseios do personagem e deixa no ar um gosto de quero mais (ele está confirmado em Vingadores).

Não apenas o vião se sobressai: Chris Hemsworth está muito bem como Thor, e Anthony Hopkins dispensa comentários, conferindo uma aura imponente - e pra lá de necessária - para Odin. Natalie Portman, por estar do lado mais "fraco" da história, não tem muito o que fazer como Jane Foster, principalmente porque o roteiro não ajuda muito a explicar a súbita paixão que existe entre o Deus e a mortal. Mas é sempre bom ver a moça esbanjando sua beleza na tela.

Se alguém ainda duvidava da Marvel, com certeza agora tem sua confiança mais fortalecida. Capitão América é o próximo capítulo, e a julgar pelo que já foi mostrado, não deve decepcionar. Resta saber como será feita a junção destes personagens, tão diferentes, em um filme único. Só a expectativa já torna a experiência espetacular. Espere novamente pelo fim dos créditos, pois nos filmes da Marvel sempre tem uma surpresa a mais correndo por lá. Ser fã de quadrinhos nunca foi tão bom quanto agora!

Cotação: ***



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