Crítica: Hop - Rebelde sem Páscoa

Filmes sobre o natal sempre chegam aos cinemas aos montes. É praticamente certo que, entre outubro e dezembro, surja pelo menos uma produção que toque no tema, seja de maneira direta ou pelo menos que se passe durante o adorado feriado. Mas e a Páscoa? Não sendo uma celebração tão popular, a festa dos doces ficou sempre em segundo plano.

Mas a Illumination Entertainment, depois de entregar o improvável sucesso Meu malvado favorito, resolveu mudar esta história, e lança um filme simpático que mistura animação por computação gráfica e atores reais. Assim é Hop - rebelde sem Páscoa.


Anunciado amplamente sob a alcunha de "filme do coelho da Páscoa", Hop consegue cumprir sua prerrogativa de maneira interessante, apostando firmemente na beleza da animação e num roteiro simples, mas que escorrega no arco final.

Problemas de roteiro são comuns em projetos voltados para o público infantil - e infelizmente ainda se tem a idéia de que animação é coisa de criança. Mas Uma cilada para Roger Rabbit, o pioneiro dos filmes que misturavam animação e gente de verdade, já mostrava que uma boa história que não subestima a inteligência do público é muito importante. Roger Rabbit era uma comédia de ação muito bem desenvolvida que encantava as crianças e divertia os adultos. Hop, neste ponto, falha.

Não há como julgar negativamente o trabalho dos animadores do novo estúdio, que prometem sacudir - realmente - o mercado de animações. As sequências animadas são grandiosas, e o design dos personagens usa e abusa da fofice, portanto, não estranhe se o público feminino mandar muitos "ahhnnnn" durante a projeção. Como sempre a escolha das vozes dos personagens é acertada, e Russel Brand convence muito mais como coelho, podem acreditar. Hank Azaria mostra que está mesmo afim de se divertir, e está muito engraçado como o pintinho invejoso que quer "roubar" a Páscoa (em breve veremos o ator como Gargamel, em Os smurfs).

O elenco humano é uma boa surpresa, principalmente por Karen Cuoco, que tem sua primeira grande chance fora da TV, onde faz sucesso como a Penny de Big Bang - a teoria. Apesar do papel pequeno e com trejeitos de sua personagem na telinha, é bom saber que o grande público já começará a conhecer a atriz. James Marsden não desaponta no papel de protagonista, apesar de parecer um pouco velho demais para a função.

Mesmo fora da Páscoa, vale a pena dar uma chance e assistir Hop. Os estúdios de Hollywood já perceberam que a animação é um filão e tanto, por isso muitos projetos inusitados devem surgir. Como fã indiscutível do gênero, só posso comemorar. Mas, assim como os ovos de chocolate, o ideal é que a surpresa seja boa ao abrir o pacote. Afinal, parafraseando o filósofo Forrest Gump, "a vida é como uma caixa de chocolates: você nunca sabe o que vai encontrar".

Cotação: **

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: A Cabana

Crítica: Logan

Crítica: A Bela e a Fera