Critica: Invasão do mundo - Batalha de Los Angeles

Depois de Distrito 9, vai ser difícil levar a sério qualquer filme de invasão alienígena. Neill Blomkamp elevou de tal maneira o nível deste estilo cinematográfico que, a partir de agora, você sempre espera se deparar com algo pelo menos próximo da originalidade da ficção científica de 2009. Não é o caso deste Invasão do mundo - Batalha de Los Angeles.


Já desenvolvido em meio há processos judiciais, pois os produtores afirmaram que o fracassado Skyline - a invasão teria plagiado idéias do filme de Jonathan Liebesman, Invasão do mundo - Batalha de Los Angeles tem muito pouco de ficção científica; trata-se, indiscutivelmente, de um barulhento veículo de promoção das forças armadas americanas, em especial das equipes de fuzileiros navais.

O visual do filme deixa a desejar para quem espera encontrar efeitos especiais inovadores, o que considerando o orçamento gordo do filme, era realmente o esperado. Longe de apresentar idéias originais, a narrativa repete os clichês comuns em filmes de guerra (as referências a longas como Platoon e Falcão Negro em perigo são evidentes) e a tentativa de humanizar os personagens chega a ser risível dada a simplicidade dos diálogos. Nas cenas iniciais, o diretor tenta apresentar os personagens e mostra pouco mais que alguns flashes que não geram um canal de identificação com o público na poltrona.

A sensação de amadorismo narrativo que o filme transmite é justificável se verificarmos o histórico da carreira do diretor Jonathan Liebesman, cujo trabalho mais reconhecido é o remake de O massacre da serra elétrica. Não optando por um estilo único de linguagem em seu filme, Liebesman acaba fazendo uma salada de gêneros que não deve agradar aos fãs de nenhum deles. Apesar da estréia com boa bilheteria nos EUA, o boca a boca deve prejudicar que o projeto decole nas bilheterias mundiais. Detalhe: o diretor é hoje o mais cotado para dirigir Wrath of the Titans, a continuação de Fúria de Titãs. Se o primeiro filme já não me animava para assistir a sequência, agora fica ainda mais complicado...

Sobre o elenco, o único destaque é o ator Aaron Eckhart, que interpretou o Duas Caras no último filme do homem morcego. Apesar do ator ser expressivo, o roteiro não o ajuda a apresentar uma atuação decente e que faça juz aos seus bons desempenhos em filmes como Obrigado por fumar e Dália Negra. Vocês podem me perguntar: e Michelle Rodriguez? Sim, ela está no filme, reprisando pela centésima vez seu recorrente papel de mulher-macho. Nem preciso dizer que isso não é nada marcante.

Se serve de consolo, aqueles que odeiam filmes de invasão alienígena pelas soluções estúpidas propostas pelos roteiristas para a nossa vitória na batalha (o histórico é monstruoso: vírus de computador, bactérias, alergia a água, entre outros) podem ficar tranquilos: desta vez o terceiro ato é mais verossímil, embora o exagero esteja presente, como é de se supor. Além disso, há o inevitável gancho para uma sequência, que hoje praticamente faz parte da receita de um arrasa quarteirão de Hollywood.

Invasão do mundo - Batalha de Los Angeles não é o filme ideal para você relaxar depois de uma semana de trabalho, a não ser que você conviva com decibéis em níveis estratosféricos e a barulheira do filme não te incomode. Caso queira uma diversão de verdade, fuja deste aqui como fugiria de extraterrestres hostis. Afinal, cinema é a melhor diversão apenas se você escolhe o filme certo.

Cotação: *

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