Critica: Em um mundo melhor

Desde As invasões bárbaras a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood não estava acertando a mão ao premiar o melhor filme estrangeiro. Várias foram as grandes produções que passaram longe sequer de indicação na categoria - como o Espanhol Fale com ela, o Romeno 4 meses, 3 semanas e 2 dias, ou o Sueco Deixa ela entrar - ou que foram indicadas e saíram de mãos vazias - A fita branca seria o mais significativo exemplo. Não é estranho que todos estes filmes citados sejam Europeus. O cinema do velho continente está passando por um momento excelente.

E entre tantas cinematografias, não poderia deixar de citar o grande momento do cinema escandinavo. O drama Em um mundo melhor é mais uma grande produção da escola Dinamarquesa.


O filme toca em temas difíceis, como preconceito, violência sexual e a dificuldade de aceitação. A diretora Susanne Bier, que já trabalhou em Hollywood e havia demonstrado seu talento no drama As coisas que perdemos pelo caminho, desenvolve a narrativa de uma forma espetacular, mesclando imagens duras com momentos de extrema ternura da maneira que só uma mulher conseguiria realizar. Para completar, o clima de suspense e tensão que envolve a história chega a ser sufocante, a ponto de deixar o público apreensivo com o destino que será dado a situações e personagens.

Não bastasse o excelente roteiro, a diretora conta ainda com um grupo de atores impressionante. Os garotos William Jøhnk Nielsen e Markus Rygaard desempenham seus papéis com a desenvoltura de dois veteranos. A belíssima Trine Dyrholm, considerada por muitos uma das maiores atrizes européias da atualidade, tem uma performance fabulosa como a sofrida Marianne. E Mikael Persbrandt, que faz o protagonista Anton, atua de maneira contida e emocionante como um homem comum que acredita que somos capazes de fazer um mundo melhor se cada um de nós, individualmente, fizer a diferença. O ator ainda é pouco conhecido do grande público, mas esta situação deve mudar, pois ele está escalado para ser um dos anões da superprodução O Hobbit, prequel do grande sucesso O senhor dos anéis.

A fotografia do filme é uma espetáculo a parte. A diretora utiliza com primazia o contraste entre as locações na África - onde Anton salva vidas trabalhando como médico sem fronteiras - e as passagens na pequena cidade do litoral Dinamarquês, alternando os planos escurecidos típicos desta escola de cinema com palhetas de cores mais claras. O efeito é similar ao que o diretor Steven Soderbergh realizou no excelente Traffic.

Em um mundo melhor é o típico trabalho feito sobre medida para festivais que deu certo com o grande público. E como. O reconhecimento internacional, além do Oscar de melhor filme estrangeiro, é uma realização que coroa a excelente fase do cinema Europeu, que cada vez conquista mais espaço. No Brasil, este movimento ainda está engatinhando, por isto corra pois a fita está disponível em pouquíssimas salas. O sacrifício de conseguir um cinema valerá muito a pena, pode ter certeza.

Cotação: ****

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