Crítica: Deixe-me entrar

Pode parecer uma heresia sair de casa para assistir um remake de um filme que você gosta muito e não tem certeza se a qualidade da "cópia" é duvidosa. Este era exatamente o meu sentimento hoje, quando decidi que iria assistir a versão Hollywoodiana do filme Sueco Deixa ela entrar.

Quem acompanha meu blog deve saber que o drama vampírico Escandinavo foi um dos filmes que selecionei nos melhores de 2009. E não poderia ter sido de outro jeito. Numa época em que a figura do vampiro foi completamente desmoralizada pela forma como está sendo tratada na literatura juvenil - estou falando da saga Crepúsculo, ok? - salva-se muito pouco material sobre as criaturas da noite, e Deixa ela entrar é o mais expressivo exemplar desta safra.


Deixe-me entrar resgata tudo que havia de melhor no filme original, contando com um banho de loja nos efeitos especiais garantido pelos milhares de dólares disponibilizados pela Paramount para o diretor Matt Reeves.

A trama toda está lá, do jeito que tem que ser. Para quem não conhece, o filme conta a história de Owen, um garoto franzino e tímido, vítima de bulling pelos colegas na escola, e que sofre com a iminente separação dos pais. Sua vida se transforma depois que conhece Abby, uma misteriosa menina que esconde um grande segredo. A amizade entre as duas crianças terá consequencias imprevisíveis quando Owen descobrir a verdadeira natureza de Abby.

É claro que algumas diferenças entre os dois filmes podem ser apontadas. Para começar, apesar de seguir à risca a atmosfera de suspense do original e também optar por locações alternativas e, de certa forma, sombrias, percebe-se nitidamente que o filme perdeu um pouco de seu charme - que estava fortemente ligado ao fato de que a fita Sueca era um drama alternativo de baixo orçamento, logo, muito mais autoral. Faltou um pouco de originalidade em alguns planos, e isto se explica claramente pela vontade de fazer do filme praticamente uma versão em inglês do anterior. As sequencias de suspense mais intensas - como o encontro de Abby com um homem em uma passarela e a cena da piscina - poderiam ter sido mais ousados e bem construídas, haja vista o orçamento inchado que o diretor tinha a sua disposição.

Um acerto muito grande desta refilmagem é a escolha do elenco, encabeçado por Clöe Moretz, a Hit girl de Kick Ass. Em outro personagem difícil, a garota mostra porque é considerada um dos talentos do momento. Além de roubar todas as cenas em que aparece, a menina ainda consegue ofuscar até mesmo Richard Jenkins - que continua sem grandes chances e aparece muito pouco no filme, embora seu personagem seja vital no desenvolvimento e na mitologia da história.

Os norte americanos não gostam de legendas, por isso é muito difícil um filme em língua estrangeira sair-se bem em terras ianques. Isto em parte explica a quantidade de adaptações e refilmagens que são lançadas em Hollywood todos os anos. Deixe-me entrar vai com certeza atingir um público muito maior, pois está sendo exibido em circuito comercial e de olho nos fãs de terror, ao invés de ser exibido nos circuitos alternativos e festivais. É uma questão mercadológica plausível. Ao menos, o público terá a chance de conhecer esta impressionante história e, quem sabe, ter vontade de dar nem que seja uma espiada no material original.

Cotação: ***

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