Crítica: Bravura Indômita

Os irmãos Joel e Ethan Coen possuem uma carreira curiosa. Seus filmes, geralmente carregados de cinismo e humor negro, nunca são de fácil compreensão, e causam reações das mais diferenciadas na platéia. Nem o seu maior sucesso crítico - Onde os fracos não tem vez, grande vencedor do Oscar em 2008 - é uma exceção. Foi preciso que os cineastas apostassem em um remake para acabar de vez com esta situação.

E o gênero escolhido não poderia ser melhor: um Western, que no passado deu um Oscar de melhor ator a John Wayne. Assim aconteceu este novo Bravura Indômita.


O filme conta a história da inusitada união de uma menina de apenas 14 anos, cujo pai foi assassinado, e um oficial grosseiro e beberrão que é contratado por ela para encontrar o bandido. Jeff Bridges assumiu o papel de Rooster Cogburn, repetindo uma atuação tão convincente quanto a de John Wayne no filme original. O ator, que vem da conquista do Oscar de melhor ator em 2010, pelo filme Coração Louco, seria o franco favorito a dobradinha não fosse um certo Colin Firth e sua atuação como o Rei George VI (por sinal, o ator perdeu o Oscar do mesmo Jeff Bridges em 2010 em uma atuação também muito festejada no drama Direito de Amar).

Matt Damon também está no filme, representando o "Texas Ranger" LaBeouf. O ator, que adquiriu um visual completamente diferente do usual para viver o personagem, está muito bem em cena, mas ainda assim é eclipsado pela excelência de Jeff Bridges. Além deles, a menina Hailee Steinfeld (que foi considerada coadjuvante pelo estúdio e concorre ao Oscar nesta categoria - provavelmente para aumentar as suas chances de prêmio) está fantástica no papel de Mattie Ross, demonstrando uma maturidade artística totalmente incompatível com sua pouca idade, o que se reflete também com excelência no personagem. Se na história Mattie Ross procura Rooster Cogburn por acreditar que ele é um homem de bravura indômita, você logo percebe que o título não faz necessariamente menção ao personagem de Bridges.

O roteiro dos irmãos baseado no romance de mesmo título, e, obviamente, no filme original, é excelente, no entanto peca um pouco por perder sua agilidade nas cenas finais, e apresentar algumas passagens desnecessárias. Os diálogos, no entanto, são muito bem elaborados, e algumas cenas foram realizadas no estilo peculiar dos diretores. Mas não espere um filme estranho como os anteriores da dupla; Bravura Indômita é claramente um filme dos irmãos Coen completamente acessível ao grande publico.

Bravura Indômita é o maior êxito comercial dos irmãos, tanto nos EUA quanto no resto do mundo. Que diferença faz um projeto "normal" na carreira de dois cineastas. Fica nossa esperança que as cifras não aticem a ganância dos diretores e que possamos continuar a ver projetos mais autorais dos caras nos cinemas. No fim das contas, um pouco de loucura é sempre muito bem vinda neste mundo quadradão da sétima arte.

Cotação: ***

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