Crítica: Incontrolável

A máxima do cinema é divertir. É claro que algumas pessoas (me incluo nesse grupo) procuram as salas escuras para algo mais além da diversão fácil; sempre é bom poder acompanhar uma história que exija um pouco mais do espectador, que desafie a platéia a pensar. Este não é o tipo de filme ao qual Incontrolável se enquadra. E quer saber? Que bom que não!

Tony Scott faz jus ao título do filme, e sua câmera também se apresenta incontrolável. Com movimentos espertos e planos sutis que captam o desespero que a situação de um trem desgovernado pode causar (as imagens do triple seven em primeiro plano avançando como uma ameaça são geniais), o diretor imprimiu um patamar impressionante de velocidade a história. Incontrolável não dá para a platéia muitos momentos para prender a respiração. E a ação começa logo nos primeiros minutos do filme, se nenhuma enrolação.

A história do filme é simples: um trem desgovernado carregado de material inflamável está se dirigindo em alta velocidade a um grande centro urbano, deixando em seu caminho um rastro de destruição nos mais de 190 cruzamentos que estão em seu caminho. Para salvar o dia, dois funcionários da empresa dona do trem, um deles experiente e com muito tempo de profissão e um novato pouco querido pelos colegas, terão que realizar uma corrida contra o tempo para parar a máquina mortífera e salvar milhares de pessoas, incluindo suas próprias famílias.

Sim, existem clichês. Conversas humanistas com leve bom humor mesmo os interlocutores estando à beira da morte certa e dramas familiares são alguns deles. Mas fique tranquilo: nenhum cachorro se salva milagrosamente aqui (tem uma pequena cena com um cavalo, mas a situação é diferente).

Do elenco, há pouco o que dizer, pois não se espera muito dos atores neste tipo de filme. Mas Denzel Washington e Cris Pine tem bons momentos na tela, e muitos deles graças ao teor crítico do roteiro frente a algumas mazelas sociais e ao comportamento das grandes corporações. Para começar, o conflito de gerações é presente desde o princípio da projeção, e é interessante ver como o diretor utiliza este recurso. Também são destaque as trapalhadas efetuadas pelos executivos da empresa para conter o trem desgovernado, que ignoram completamente os frequentes avisos e conselhos da equipe operacional - que entende, obviamente, muito melhor do assunto. Estas situações são extremamente familiares para qualquer pessoa que esteja no mercado de trabalho e tenha um pouquinho que seja de senso crítico; coisas parecidas acontecem em muitas empresas por aí a todo momento...

Incontrolável é um bom exemplo de filme que atinge com sucesso seu principal objetivo: entreter a platéia contando com uma boa história, efeitos especiais competentes e adrenalina pura até o último momento. Uma boa pedida para este princípio de ano, que geralmente começa em uma velocidade mais lenta, e que só engrena lá para março, depois do carnaval. A gente merece!

Cotação: ***

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