Crítica: As minhas mães e o meu pai

Annette Benning e Julianne Moore são duas atrizes que não precisam de apresentação. Ambas possuem carreiras sólidas, amparadas por um portifólio de filmes respeitável e pouquíssimas vezes pisaram na bola ao escolher seus trabalhos. No entanto, estranhamente e por culpa do acaso, ainda não possuem um Oscar na estante. Esta situação pode ser revertida em 2011, graças a este grande filme semi-autobiográfico da diretora Lisa Cholodenko, As minhas mães e o meu pai (The kids are all right).


O filme conta a história de uma família nada convencional, cujas "matriarcas" são Nic (Benning) e Jules (Moore). Lésbicas assumidas, as duas mulheres recorreram quando jovens a um banco de sêmem para conseguirem engravidar, e daí vieram seus dois filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson). Às vésperas da ida de Joni para a faculdade, os irmãos resolvem encontrar o doador das mães, Paul (Mark Ruffalo). A amizade entre seus filhos e o pai biológico afeta a dinâmica da família na perspectiva de Nic, e tem consequências inesperadas quando Jules começa a conhecer Paul mais intimamente.

Apesar dos toques de comédia, o filme se desenrola como um excelente drama sobre uma família tentando adequar-se aos seus próprios fantasmas. O roteiro é desenvolvido com maestria pela diretora, que aproveita-se ao máximo do maravilhoso elenco que tem em mãos. Embora a presença de Annette Benning e Julianne Moore seja o prato principal, Mark Ruffalo e Mia Wasikowska conseguem roubar algumas cenas; difícil de acreditar que a atriz australiana seja a mesma que recentemente teve um desempenho tão irregular no controverso filme de Tim Burton, Alice no País das Maravilhas.

Da atuação das veteranas, seria difícil um resumo em poucas linhas. Na pele de Nic, Annette Benning entrega uma atuação arrebatadora, dando a personagem uma aura enérgica, mas que se mostra extremamente frágil ao desenrolar da história. Como Jules, Julianne Moore transparece um frescor pouco visto em suas personagens mais recentes; elo mais fraco do casal, Jules é romântica, sonhadora e vive em segundo plano frente ao sucesso de sua companheira. Quando tem a chance de se aventurar em um novo emprego e, quem sabe, um novo amor, o personagem dá uma guinada e mostra toda a vitalidade e talento da atriz, que vive no filme alguns dos melhores momentos de sua vitoriosa carreira no cinema.

É certo dizer que o grande trunfo do filme é o elenco, no entanto o talento da diretora em conduzir temas envolvendo famílias problemáticas pode também ser colocado em destaque, e vem desde seu tempo de TV, em episódios de séries como The L World e Six Feet Under.

Minhas mães e meu pai vem conquistando o respeito da crítica especializada, e rendendo indicações diversas a prêmios importantes para as atrizes principais. Resta saber qual será o destino do filme na maior festa do cinema, o Oscar. Quem sabe não está na hora de premiar uma destas grandes damas do cinema?

Cotação: ***

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