Crítica: Além da vida

Quem vê o cinema recente de Clint Eastwood poderia dizer muitas coisas, mas com certeza uma palavra seria destaque: vitalidade. Mesmo com oito décadas de vida, muitas das quais dedicadas ao cinema, o velho caubói ainda está firme na ativa, e produzindo um grande filme atrás do outro. E ele acerta mais uma vez com este Além da Vida.


O título nacional, obviamente, quer pegar carona na onda de sucessos de filmes espíritas nas bilheterias de nosso país. No entanto, diferente de Nosso Lar ou Chico Xavier, temos aqui um roteiro que se preocupa mais com o desenvolvimento dos personagens do que com a mensagem religiosa em si. Não se poderia esperar algo diferente de Clint Eastwood.

O diretor consegue realizar cenas antológicas utilizando os mais diferentes recursos narrativos. Logo de início, o filme apresenta aquela que deve ser a melhor cena de catástrofe realizada no cinema nos últimos tempos (a tsunami da Tailândia, para você ter uma idéia), e mesmo Clint não tendo muita experiência com grandes efeitos especiais em seus filmes, consegue transmitir com perfeição todo o terror deste acontecimento marcante na história mundial recente (nota adicional: esta crítica deveria ter sido finalizada antes do incidente ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro; diante da tragédia real, esta excelente passagem de Além da Vida se torna ainda mais impressionante e assustadora de se ver). Há espaço também para o romance, coisa que o diretor sabe - e muito! - como representar na tela. Mas desta vez ele consegue se superar, colocando Matt Damon e Bryce Dallas Howard num encontro amoroso durante uma aula de gastronomia. Bonito demais de se ver.

Mesmo contando com grandes atores em seu elenco, o filme é de Cécile De France. A belíssima atriz francesa de Um lugar na platéia tem aqui sua maior chance no cinema americano, e não desaponta. Com uma interpretação suave e ao mesmo tempo intensa quando necessário, é difícil não ficar desapontado quando a moça sai da tela.

Outro ponto vitorioso de Além da Vida é conseguir intercalar de maneira convincente as três histórias paralelas que são contadas no filme, mesmo seus personagens, inicialmente, estando distantes uns dos outros (as locações se dão em cidades como Londres, Paris e São Francisco). Apesar do ritmo lento que as vezes incomoda, Clint Eastwood monta as peças sem pressa para construir seu final, que mesmo previsível, emociona. A trilha sonora é um destaque, e a forma que o diretor a utilizou lembra em muito o trabalho no também excelente Gran Torino.

Se o cinema recente está carente de diretores autorais, fica a nossa torcida para que Clint Eastwood não se aposente tão cedo e ainda nos presenteie com mais sucessos nos próximos anos. Seu próximo trabalho, J. Edgar, com Leonardo Di Caprio como o lendário chefão do FBI, já promete muito. É só esperar para ver!

Cotação: ***

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