Crítica: As Crônicas de Nárnia - a viagem do Peregrino da Alvorada

Muita gente gosta de comparar o trabalho de C.S. Lewis com o de J.R.R. Tolkien. No entanto, as semelhanças entre As crônicas de Nárnia e O senhor dos anéis se limitam apenas ao fato de que ambas são obras de fantasia. A diferença fica ainda mais evidente agora, com o lançamento do terceiro filme baseado nos livros de Lewis, A Viagem do Peregrino da Alvorada.

Difícil de acreditar que C.S. Lewis tenha sido um ateu confesso assistindo a este filme. Tal como os anteriores, A Viagem do Peregrino da Alvorada tem como figura central o Leão Aslan, uma "divindade" de Nárnia. Sempre atuando por trás das ações dos irmãos Pevensie - desta vez representados apenas por Lúcia e Edmundo -, o soberano do mundo fantástico é uma espécie de guia espiritual, e uma alegoria interessante do que seria Jesus Cristo para o escritor inglês. As cenas finais do filme, por sinal, transmitem uma mensagem com uma profundidade cristã impressionante. Este é o grande contraponto a O senhor dos anéis; apesar da natureza cristã de Tolkien, sua terra média não tem sequer um pequeno resquício de algum tipo de religiosidade. Vai entender...

A história do filme começa poucos anos depois de Príncipe Caspian, e acompanha uma aventura de Lucia e Edmundo junto de seu primo Eustáquio (raro caso de que o personagem consegue ser tão chato quanto o ator), para ajudar Caspian a encontrar sete fidalgos perdidos em uma missão a terras inexploradas. A bordo do barco que nomeia o filme, o quarteto enfrenta grandes perigos, além de seus próprios monstros interiores.

O elenco infantil continua sendo um ponto fraco na série, e mesmo o evidente envelhecimento não contribuiu para uma melhora na carga dramática dos atores. O diretor Michael Apted conduz o filme corretamente, sem abusar das cenas de batalha - que eram as grandes falhas das aventuras anteriores. No entanto, não mostra personalidade no desenvolvimento dos personagens e em algumas passagens cujos recursos narrativos utilizados são frágeis e repetitivos.

Mesmo com estes pequenos defeitos, o final de A Viagem do Peregrino da Alvorada é um dos momentos mais marcantes da trilogia. Além da mensagem católica, o filme abraça de uma forma emocionante o significado do que é ser e viver como criança e aceitar as mudanças da idade adulta. Não estranhe se você deixar cair alguma lágrima, pois a idéia do diretor foi essa mesma.

Com um resultado abaixo do esperado pela Fox (que assumiu a franquia depois da Disney ter ficado decepcionada com o retorno do segundo filme), é muito provável que os próximos livros de Nárnia fiquem sem ver a luz do dia nos cinemas. Se acontecer, ao menos, foi uma boa despedida.

Cotação: **

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