Crítica: Wall Street - o dinheiro nunca dorme

"O dinheiro é uma vadia que nunca dorme". Talvez muita gente não entenda o que essa frase quer dizer. No entanto, vindo da boca de um yuppie, ela tem mais do que um significado: é praticamente uma doutrina. E o cinema, mais do que qualquer outra forma de arte, sabe como ninguém como se utilizar de paradigmas para construir histórias impactantes.

Que o diga Oliver Stone. Depois de entregar um dos filmes mais provocativos da década de 80, o cineasta ataca novamente.

Mais do que um novo filme, Wal Street - o dinheiro nunca dorme é uma homenagem de Oliver Stone ao seu próprio cinema. Ao reviver um dos personagens mais icônicos da sétima arte - Gordon Gekko, novamente interpretado de forma vigorosa por Michael Douglas - o diretor realiza um trabalho genial. Desde a concepção até o último plano, o filme é um exemplo de como se atualizar uma boa história sem perder o seu charme principal.

O cenário do filme, mais de 20 anos depois, continua sendo o poderoso distrito financeiro da cidade de Nova York, pouco antes da crise dos subprimes, que abalou - e ainda abala - os mercados internacionais. Quem não entende muito de Economia pode acabar um pouco perdido em alguns momentos, dada a quantidade de informações que são exploradas pelo roteiro. Mas esta sensação é compensada em muitos aspectos, a começar pelo elenco; além de Michael Douglas, as atuações de Frank Langella, Josh Brolin e Carey Mulligan são um espetáculo a parte. A atriz inglesa, aliás, é responsável pelo principal arco dramático da história, e está ainda melhor que no papel em que recentemente foi indicada ao Oscar na categoria de melhor atriz, pelo filme Educação.

A fotografia usa e abusa do sempre excelente cenário que é a Grande Maça, com panorâmicas espetaculares. O roteiro de Stephen Schiff - que trabalhou com Clint Eastwood em Crime Verdadeiro - e Allan Loeb - cujo último trabalho foi Quebrando a Banca -, além de genial, ainda apresenta uma das reviravoltas mais impressionantes dos últimos tempos, tudo de forma coesa e bem estruturada pelo eficiente trabalho de edição, que não deixa o filme perder o ritmo.

Se nos últimos tempos Oliver Stone estava apresentando uma filmografia irregular, o novo Wall Street é a prova de que a crise criativa era apenas uma "marolinha". Esperemos que, diferente da Economia, este não seja um fenômeno cíclico na carreira do cineasta. Que os deuses de Hollywood o abençoem.

Cotação: ***

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica: A Cabana

Crítica: Logan

Crítica: A Bela e a Fera