Crítica: A Lenda dos Guardiões

Adaptações literárias são o calcanhar de aquiles de muitos cineastas. Se por um lado o trabalho se torna mais fácil com textos ricos em detalhes, narrativa simples e bons personagens, pode se mostrar um verdadeiro presente de grego se na hora de condensar todo aquele mundo em um roteiro as decisões não sejam bem acertadas.

Foi o que aconteceu com o novo filme de Zack Snyder, A Lenda dos Guardiões. Baseado na obra da escritora Kathryn Lasky, publicada pela editora Scholastic (a mesma de Harry Potter), o filme condensa os acontecimentos dos três primeiros livros da série, que encerrou-se com um total de quinze volumes.

Os livros que contam as aventuras das corujas de Ga´Hoole não são enormes como os de outras séries destinadas ao público infanto-juvenil, o que talvez possa explicar o motivo pelo qual a Warner preferiu levar para as telas mais de uma aventura por vez. Vale lembrar, no entanto, que outra pretensa série cinematográfica afundou pelo mesmo erro - Desventuras em série, produzida pela Universal e baseada na obra do autor Lemony Snicket. Adaptar mais de um livro em um único filme é uma tarefa inglória, pois acaba-se sacrificando muitas partes da obra original, diminuindo, inclusive, o tempo para desenvolver os personagens, como também há um risco muito grande de não apresentar adequadamente toda a história que deve ser contada.

São estes os principais defeitos de A Lenda dos Guardiões. Tudo acontece depressa demais, e parte é culpa do estúdio, que quis o filme com a duração normal de uma animação para crianças - algo em torno de 90 minutos. O que você sente ao assistir é que, apesar de toda a qualidade visual e dos efeitos competentes em 3D, não conseguimos mergulhar de cabeça na história, que conta a jornada do sonhador filhote Soren, raptado de seu ninho junto do irmão por um grupo de corujas que acredita em sua superioridade genética e planeja a dominação de todas as outras raças. Soren consegue fugir, e com a ajuda de novos amigos, deve encontrar os lendários Guardiões de Ga´Hoole, para então poder salvar as outras aves presas e o irmão - que é seduzido pelas idéias fascistas dos vilões.

Mesmo com todos os defeitos, o filme consegue surpreender pela qualidade do elenco que emprestou suas vozes para as corujas. Medalhões como Helen Mirren e Geoffrey Rush dividem a cena com novatos como Jim Sturgees e Ryan Kwanten, e todos estão excelentes. Difícil também não reconhecer o vozeirão de Hugo Weaving, cada vez melhor neste tipo de trabalho. Uma pena que a trilha musical não acompanhe o mesmo ritmo do excelente time de vozes: poderia ser muito melhor.

Ainda que não seja um dos grandes filmes de animação do ano, A Lenda dos Guardiões mostrou que é possível desenvolver filmes animados com os protagonistas mais inusitados - coisa que a Waner, aliás, está tornando comum, depois de Happy Feet, o pinguim. Para todo fã de animação, é sempre bom saber que a criatividade está em alta no gênero.

Cotação: **

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