Filmes em 3D já estão em decadência?

A indústria do cinema precisava se proteger contra o avanço da pirataria, que já estava tomando níveis absurdos em todo o mundo. Antes mesmo de um filme estrear nos cinemas, já era possível conseguir cópias na internet - mesmo que com qualidade duvidosa, diga-se de passagem. Para aquelas pessoas que sempre acreditam em "teorias conspiratórias", esta seria apenas mais uma estratégia de Marketing dos distribuidores, que gerariam com o boca-a-boca uma divulgação praticamente gratuita para o filme (vide o fenômeno Tropa de Elite aqui no Brasil).

O fato é o seguinte: a bilheteria, e podemos dizer mais claramente ainda, a bilheteria de abertura, é hoje o fator mais importante para dizer se um filme é um sucesso ou não. Mesmo as vendas de DVDs não fazem mais tanto a diferença para a arrecadação, uma vez que este mercado reduziu expressivamente com o avanço da velocidade das conexões de banda larga da internet. Hoje, o cidadão comum prefere baixar os filmes na rede, e são poucos os colecionadores que ainda empilham os discos em prateleiras nas suas casas (me incluo neste grupo).

É neste contexto que o surgimento do 3D surgiu como uma salvação. Em menos de 2 anos da explosão do novo fenômeno da sétima arte, já são três os filmes que utilizam a tecnologia a figurarem na listagem de maiores bilheterias mundiais da história (o superestimado Avatar; a obra prima da Pixar Toy Story 3; e o pretensioso Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton). É claro que o preço mais elevado dos ingressos contribuiu para o sucesso destes filmes, mas também é fato que as pessoas perceberam que só teriam a sensação proposta pela nova tecnologia se assistissem aos filmes no cinema. Uma nova era parecia se iniciar.


Ledo engano. Apesar de alguns filmes além dos três descritos terem alcançado relativo sucesso (a maioria animações, como Shrek para sempre e Como treinar seu dragão) os fracassos em "3D" vão se empilhando com uma rapidez impressionante. O fato é: o público não é bobo. Cineastas ambiciosos acharam que realizar transições porcas para a tecnologia a custo mais baixo, ao invés de produzirem o filme já em 3D, também seria um sucesso. As críticas a alguns filmes foram tão pesadas (Fúria de Titãs e O Último Mestre do Ar que o digam) a ponto de se considerar que a moda seria passageira.

O que produtores, diretores e distribuidores precisam entender é que não importa a tecnologia utilizada: o público quer ir as salas escuras para curtir boas histórias, e por um preço que possam realmente pagar. Não adianta elevar o preço dos ingressos e atingir um público menor. O cinema nunca deixará de ser uma opção de lazer, principalmente nos grandes centros urbanos. 3D ou não, ir ao cinema é parte do cotidiano. Inflacionar a diversão e reduzir a qualidade pensando enganar a platéia com efeitos digitais mal produzidos é uma grande ingenuidade.


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