Crítica: Preciosa

Gabourey Sidibe é uma jovem negra, obesa e com um sonho: tornar-se uma artista de cinema. O sonho se concretizará, de forma ainda mais impressionante, no início de março, quando Gabourey sentará em uma das cadeiras do Kodak Theatre, como uma das concorrentes ao Oscar de melhor atriz pelo drama Preciosa.


Se a história da atriz é parecida com a da sofrida protagonista do filme de Lee Daniels, as semelhanças acabam por aí. Até então desconhecida, participou de um processo seletivo para o filme incentivada pela mãe, que acreditava no talento da moça. Muito diferente do personagem, cuja mãe é - falando de forma mais leve - a principal responsável por várias das tragédias ocorridas na vida de Precious. Gabourey emociona pela forma contida que conduziu sua atuação, demonstrando um talento que não se vê em muitas veteranas. Mas são de Mo'nique os momentos mais impressionantes do filme. A comediante entrega uma atuação visceral como a violenta e revoltada mãe de Precious.

Optando por suavizar os momentos de tensão com devaneios da protagonista - que se vislumbrava rica, famosa e cercada de belos rapazes - Lee Daniels conseguiu tirar seu filme da cilada do melodrama. Fez bem. Quem lê o resumo do roteiro de Preciosa não pensa em menos que um filme extremamente pesado. Ele é, mas muito menos do que o destino trágico dos personagens poderia prever. Tem momentos leves, embora não gratuitos. E, quando precisa emocionar, emociona. Assim como provoca revolta. Tudo em leves prestações, num equilíbrio que mantém o filme nos eixos e impressiona pela categoria demonstrada na direção.

Na parte técnica, pode-se destacar a rica fotografia de uma Nova York que nossos olhos não estão acostumados a ver: pobre, abandonada e decadente. A região do Harlem é retratada de forma crua e poderosa. A montagem investe em planos fechados do rosto da protagonista, valorizando a condição de tristeza.

Preciosa percorreu um longo caminho até a chegada nos cinemas. Conquistou o respeito da critica especializada e se credenciou como um dos maiores filmes de 2009. Com merecimento. Resta a nós, embora cientes de que não é verdade, acreditar que não existam outras meninas sofridas como a personagem retratada nas telas. Sonhar não custa nada.

Cotação: ***

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